Cidades

ONGs e protetores de animais encontram dificuldades para abrigar cães e gatos

Exigências como cor, tamanho e até temperamento do animal são os principais obstáculos na hora de encontrar uma família adotante

Exigências como cor, tamanho e até temperamento do animal são os principais obstáculos na hora de encontrar uma família adotante

Texto: Nicolle Machado e Thomas Falconi
Edição: Bianca Pereira

Diariamente muitas pessoas passam pelo centro de Florianópolis, umas com pressa, outras nem tanto. São trabalhadores, consumidores ou apenas pessoas com tempo livre para passear. Em um desses dias comuns, algo chamou a atenção: um cachorro tinha acabado de ser abandonado no centro da cidade. Alguns curiosos rodearam o animal tentando entender o que havia acontecido. Um deles foi Rafael Gil. O jovem indignado com a situação foi informado por uma testemunha que o(a) tutor(a) estava em um táxi e havia abandonado o cão momentos antes, então decidiu tomar uma iniciativa. “Abri o Google e procurei por abrigos. Tentei três diferentes sites, mas todos estavam em manutenção e sem telefone para contato”. Sem ter outra opção de imediato, ele tomou uma decisão. “Resolvi levá-lo para minha casa, porque assim eu teria mais tempo e calma para resolver o destino dele”.

O abandono de animais é algo muito frequente no país. A Organização Mundial da Saúde – OMS, estima que cerca de 30 milhões de animais vivem nas ruas. Mas é para tentar reverter esse quadro que ONGs e protetores de animais trabalham em prol dessa causa. Leila Jurjus Chahm de Nadai é uma dessas pessoas. Moradora de Itajaí, atualmente ela tem 15 animais em casa, 7 cães e 8 gatos. Todos foram adotados por ela, sendo que seis deles não estavam em seus planos. “Tenho seis cães que eram para ficar comigo temporariamente e eu acabei os adotando”. O vínculo que criou nessas seis vezes com os animais falou mais alto. “Me apeguei a eles e ficava imaginando se a pessoa que o adotaria teria os mesmos cuidados que eu tinha”.

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Leila com cinco dos seus seis cães adotados (Foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo com as despesas com comida, veterinário e vacinas, Leila garante que vale a pena. “Quanto a adotar um animal de rua, o que posso dizer é que é uma experiência recompensadora”. Contudo, ainda são poucas as pessoas que pensam como Leila. As protetoras de animais têm grande dificuldade para encontrar uma família para os animais desabrigados. “A maior dificuldade na adoção está nas pessoas que, normalmente, apenas se interessam por cachorros de raça”, afirma Leila.

Ariene Lopes, que também é protetora de animais e atua na Associação Amor Animal em Itajaí, conta que quando alguém se sensibiliza com a causa, quer adotar, faz exigências como cor de pelo e olhos, porte e até mesmo a personalidade do animal, o que, muitas vezes, acaba não sendo atendido e o cão não é adotado. “O número de animais com relação aos adotantes não é proporcional também”, completa Ariene.

Para quem quer adotar, o procedimento é sempre o mesmo. Os interessados passam por uma espécie de triagem, para saber se eles têm um ambiente propício para o animal, se tem condições e estão dispostos a dedicar tempo ao animal. “A pessoa é conscientizada de que o cão não é algo descartável, um cão vive em média 10 anos”.  Em relação aos lares temporários, a única exigência que se faz é a pessoa estar disposta a se deslocar para o veterinário caso o animal necessite, além de medicá-lo e alimentá-lo nos horários indicados. Já as despesas com o tratamento e remédios são custeadas pelas ONGs.

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Associação Amor Animal realiza feira de adoção (Foto: Arquivo Pessoal)

A dificuldade para encontrar um lar temporário é igualmente a de um lar definitivo. “As pessoas não querem dar lar temporário porque não querem assumir um compromisso, às vezes não têm tempo porque trabalham o dia inteiro. Por isso, quem acaba dando lar temporário são as pessoas que já estão envolvidas com a causa animal, as protetoras”, completa Leila.

Queli Biasi é outra apaixonada por animais. Ela tem dois gatos que foram resgatados da rua e adotados. Mas, mesmo já tendo que cuidar dos felinos, da casa e do trabalho, Queli, recentemente, deu lar temporário para uma cachorrinha. A Pretinha tinha acabado de ser resgatada e passou por uma cirurgia. Quem tratou do pós-operatório dela foi a própria Queli. “Ela ficou alguns dias na minha casa. Eu levava para fazer as necessidades, dava comida e depois ela deitava no sofá e ficava do mesmo jeito o dia todo. Sofreu tanto que só queria descansar”, descreve Queli.

Depois da recuperação, Pretinha foi viver no Horto Municipal de Itajaí. Queli conta que ela está sempre em alerta, ajuda os vigias e faz companhia para eles.

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Pretinha ficava esperando Queli chegar deitada no sofá (Foto: Arquivo Pessoal)
Redes sociais auxiliam os protetores

Mesmo com as dificuldades encontradas pelas protetoras de animais, as redes sociais ainda são capazes de auxiliar e muito esse tipo de trabalho. Grupos e páginas são criados com o propósito de mostrar que um animal foi encontrado, abandonado ou até mesmo está para adoção. Até quem perde um animal consegue encontrá-lo com mais facilidade.

Muitas pessoas oferecem suas casas como lar temporário através das redes. Para Ariene, além de poder encontrar um lar para os animais, ainda é possível mostrar o trabalho que é feito nas ONGs para que mais pessoas se sensibilizem e apoiem a causa animal.

A fotógrafa e estudante do curso de Fotografia da Univali Mariana Teixeira registrou a vida dos animais em abrigos e lares temporários para um trabalho da disciplina de Fotojornalismo. As fotos mostram cães que estavam ou estão para adoção através da Acapra – Associação Brusquense de Proteção aos Animais. Confira a galeria abaixo:

 

 

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