Arte e Cultura

Esquadrão Suicida: Filme do Ano?

Texto e Edição: Evandro Ritzel

Após Batman vs Superman ser visto por críticos como um desastre, a DC, em parceria com a Warner tem um plano B: Esquadrão Suicida. O sucesso repentino ao colocar um grupo de vilões icônicos da editora como tema de um filme se tornou a jogada perfeita, ainda mais com a presença de um novo Coringa (Jared Leto).

A Warner e a DC apostaram todas suas fichas no filme. A fim de agradar um púbico geral, mas principalmente amantes dos quadrinhos e da banda Queen, o Esquadrão Suicida foi filmado, editado, remontado e refilmado, sempre com a promessa de manter a visão do diretor David Ayer. Mas não foi isso que a DC entregou nos cinemas.

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Após assistir ao filme, você sai do cinema com um gostinho de quero mais, pois é uma produção que abre muitas portas ao universo da DC. Misturando cenas de ação com tiradas cômicas, cheio de efeitos especiais, muitos easter eggs” (referências) de filmes anteriores, a DC acreditou cegamente no sucesso. Mas não foi bem assim, essa obsessão em agradar levou a uma série de falhas, criando um filme de vilões.

Embalado por diversas músicas famosas, Esquadrão Suicida tem um início muito interessante ao apresentar seus personagens em um estilo cartunesco. Como se fosse um dossiê, passam flashbacks definindo cada personagem da trama, como o Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Magia (Cara Delevingne) e Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje). A primeira meia hora é assim, só então começa a ação. E é aí que o filme muda. O estilo pop sai e entra uma trama bem mais pesada e dark. As piadinhas, principalmente da Arlequina, ainda estão lá, mas no geral estamos diante de uma trama pesada, muito mais alinhada com Batman vs. Superman.

Assim, a ideia de reunir uma série de vilões perigosos rumo a uma missão quase impossível vai, aos poucos, se perdendo. A partir do momento em que precisa disputar espaço com o passado do Coringa, o pequeno envolvimento do Batman e do Flash e até mesmo dos indícios da criação da Liga da Justiça, o longa busca abranger uma série de questões do universo DC.

Dos quadrinhos para as telas do cinema:

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Sem perceber que está perdendo o foco da ideia principal, o filme faz com que as participações de Batman e até mesmo do tão divulgado Coringa, que tem pouco tempo de tela, se afastem do verdadeiro conflito. Dessa maneira, cria uma história paralela à narrativa que importa no projeto, tirando o brilho de Esquadrão Suicida.

É o amor que dá a essência da vilania para alguns personagens, o fator comum de Arlequina, Pistoleiro, El Diablo, Katana e o resto do esquadrão e até a base para aquela união ser possível. No entanto, parece ser uma ideia arriscada para um filme de vilões, mas acaba sendo mais uma vez mal utilizada, já que o filme está mais preocupado em se divertir com aqueles personagens ao invés de investigar minimamente o universo psicológico de cada um. Ser irônico ou divertido não quer dizer excluir a dramaticidade de um filme, porém Esquadrão Suicida utiliza o caminho mais fácil e seu humor para apaziguar as relações entre seus personagens. Dessa forma, cenas que necessitam de maior envolvimento entre personagens e público parecem ser apenas jogados na tela, sem cuidado algum, provocando apenas mais momentos dissonantes.

Confira o último trailer do filme antes de ir ao cinema:

 

 

Esquadrão Suicida não é perfeito. Embora não seja um filme como o que os trailers venderam, ele é, sim, uma atração que vai entreter e divertir desde o fã dos quadrinhos até quem conheceu os personagens pelo cinema. Ele não merece a chuva de críticas dos sites especializados, mas também não se salva em comparação a outros filmes de super-heróis. As cenas de ação são excelentes, mas no fator humor ele perde de longe para Deadpool. No entanto, compará-los é injusto. Cada um é bom à sua maneira e quem for fã de uma boa aventura não sairá insatisfeito do cinema.

 

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