Tecnologia

Hora do jogo: conheça o processo de desenvolvimento de um game

Em constante crescimento, o fascinante mercado dos games é capaz de entreter e gerar lucro. Através de programas gratuitos é possível desenvolver seu próprio jogo.

Em constante crescimento, o fascinante mercado dos games é capaz de entreter e gerar lucro. Através de programas gratuitos, é possível desenvolver seu próprio jogo

Texto: Kauana Amine, Miriany Pimentel
Edição: Evandro Ritzel

Douglas Babinsky
Imagem cedida por Douglas Babinski, tirada no Deck do Pontal Norte em Baneário Camboríu.

No mundo dos games a febre do momento é o Pokémon Go. Um jogo grátis da famosa franquia, desenvolvido pela Niantic, com milhões de downloads em todo o mundo.  O aplicativo voltado para smartphones traz um jogo de realidade aumentada. Dando ao jogador a possibilidade de interação do virtual com o real.

A tecnologia avançada 2D e 3D, as plataformas e programas com capacidade para desenvolver jogos cada vez mais próximos da realidade demonstram a força de um mercado que fatura milhões com a produção de games. Os campeonatos no universo dos games têm conseguido mais adeptos e muitos gamers se tornam profissionais. Há também aquelas pessoas que, além de jogar, produzem seu próprio game.

O sonho se transformando em realidade
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Mateus de Quadros, desenvolvedor de games, em seu ambiente de trabalho. (Foto: Kauana Amine)

Mateus de Quadros (26) é um exemplo de gamer que, ao fazer um curso de programação, identificou-se com a área. Começou a jogar com 3 anos de idade e teve influências como Mario Bross, Príncipe da Pérsia, e em especial, RPG. Com 5 anos, Mateus já fazia rascunhos para jogos. Atrelado ao desejo de infância de desenvolver games, Mateus, como num passe de mágica, criou seu próprio jogo, o Easy Magic. A ideia surgiu através de um sonho em que seu pai o incentivava a fazer o jogo e ele via um cenário com magias. “Acordei e comecei a me lembrar que tinha muita programação pronta, um projeto aqui e um outro lá e, se eu juntasse tudo, conseguiria fazer o EasyMagic de forma mais fácil”. E no período de um mês, ele fez.

Mateus foi o responsável pela parte da programação. Ele conta com mais dois parceiros, um na área do design gráfico e outro da parte artística, para concluir o trabalho. O jogo foi aceito pela Steam, uma biblioteca de jogos famosa entre os geeks no mundo. A previsão dos desenvolvedores é de que o jogo esteja disponível no mercado até final deste ano.

Etapas para construir um game

Você também pode assistir no youtube, os vídeos do canal DreamReal, onde Mateus explica um pouco mais sobre o desenvolvimento de jogos e os programas para criá-los.

A arte faz parte
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Teen Medusa – Arte produzida por Amanda Duarte (Foto: Limetown Studios)

Já imaginou o jogo sem os seus personagens preferidos? Que chato seria! Por isso, a parte artística é essencial. E, de arte, Amanda Duarte (27) entende bem. Em 2011, juntamente com seu marido, Gustavo Lima, criaram o próprio estúdio home office, a Limetown Studios. Trabalham principalmente com ilustração, design e concept art para games, livros e publicidade. Enquanto Gustavo tem um perfil mais criativo e enérgico, Amanda é mais empreendedora. No estúdio, Gustavo é responsável pelos desenhos e Amanda pela parte de colorização, pintura e finalização dos trabalhos.

São vários os desafios para os artistas. Em maio deste ano, Amanda e Gustavo desenvolveram 30 personagens em poucas semanas para o jogo Pot Profit, que será lançado futuramente para Android pela desenvolvedora Perblue. Criar personagens para jogos é o que ela mais gosta de fazer. As inspirações de Amanda surgem de diversos lugares, como filmes, séries, músicas, artistas que admira e games que joga. “Uma das minhas maiores influências, até hoje, são as animações da Disney, tanto em termos de história quanto de visual”.

Quanto ao processo de criação, Amanda explica melhor as etapas de produção:

etapa: Para aprovar a composição geral da ilustração e/ou posição da figura: Thumbnails bem soltos (ou silhuetas, no caso de personagens ou props).
2ª etapa: Rascunhos, para introduzir um pouco mais de design e detalhes no desenho, definindo um pouco melhor como a versão final vai ficar.
3ª etapa: Uma vez que o rascunho for aprovado, a próxima etapa pode variar dependendo da necessidade do projeto. São usadas 3 ou 4 opções de paletas de cores diferentes, de forma bem simplificada (preenchimentos chapado, sem volume ou variação de luz e sombra).
4ª etapa:  Por fim vem a etapa final, pintura e finalização da imagem.

Amanda dá algumas dicas para quem tem interesse de iniciar nessa área de ilustração: “Estude fundamentos (anatomia, perspectiva, luz, cor…), porque nenhuma técnica, digital ou tradicional, substitui uma base de conhecimento sólida”. E ela ainda antecipa o que vem por aí. “Estamos nesse momento desenvolvendo personagens pra 3 empresas de games (uma nacional e duas de fora), mas infelizmente não posso falar ainda sobre esses projetos – só posso dizer que estamos muito empolgados”.

Perfil dos gamers brasileiros
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Fonte: Pesquisa Game Brasil

Para quem diz que videogame não é coisa de menina, é sim e as pesquisas comprovam. A pesquisa Game Brasil 2016 mostra dados da representatividade feminina no mundo dos games. Segundo o estudo, as mulheres representam 52% do público que joga games no país. A terceira edição do levantamento, que busca traçar o perfil dos brasileiros que jogam videogame, traz ainda dados apontando a média dos jogadores por idade.

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Fonte: Pesquisa Game Brasil.

A pesquisa aponta também que a plataforma mais usada pelos games é o smartphone com 34,4%, seguido do computador, com 30,1%.

Santa Catarina no ranking dos games

Florianópolis sediou no ano passado a final da 1ª etapa do Campeonato Brasileiro de League of Legends, um game online jogado em todo mundo. League of Legends é um jogo de estratégia que mistura velocidade e intensidade com elementos mais colaborativos e sociais. O documentário All Work All Play, lançado em 2015, retrata o dia a dia dos jogadores, a preparação para os campeonatos e as arenas lotadas de expectadores.

Em 2014, foi divulgada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) uma pesquisa com o panorama da indústria de jogos no país. O levantamento de dados, realizado com 133 desenvolvedores, confirma Santa Catarina na 4ª posição na indústria de games do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Segundo a mesma pesquisa, em 2010, o faturamento do mercado mundial de jogos digitais ultrapassou o do cinema. O universo dos games movimentou US$57 bilhões, enquanto a sétima arte faturou US$ 31.8 bilhões.         

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