Meio Ambiente

Projetos buscam transformar o óleo de cozinha para proteger o meio ambiente

Atualmente os ecopontos contribuem na reutilização do óleo de cozinha e ajudam na renda e parceria de bairros da região, além dos projetos criados entre escolas e universidades.

Atualmente os ecopontos contribuem na reutilização do óleo de cozinha e ajudam na renda e parceria de bairros da região, além dos projetos criados entre escolas e universidades.

Texto: Andressa Magalhães e Beatriz Ferreira
Edição: Adrielle Demarchi

O sabão de óleo é algo diferente, que pode causar estranheza às pessoas, porém nossa equipe de reportagem testou e, além de limpar manchas, este sabão é tão cheiroso quanto os demais. Agora imaginem se ao invés de soda cáustica utilizarmos cinza de fogão à lenha? Pois é, conhecemos uma comunidade de moradores de Itapema que já seguiu a receita e afirma que funciona ainda melhor, pois, além de lavar roupas, a Dona Dilva da Silva disse até lavar seus cabelos com o tal sabão. Segundo ela, ele dá brilho e não deixa casquinhas no couro cabeludo! É algo para se pensar, não?

A reutilização do óleo de cozinha permite que a sociedade contribua com o meio ambiente e redireciona algo que iria para o lixo, além de oportunizar uma renda extra com a venda do sabão. De acordo com a engenheira ambiental Gisely de Sá Ribas, o óleo, ao entrar em contato com o ralo da pia, pode entupir a tubulação e atrair pragas. Quando descartado diretamente nos rios contamina a água e pode matar espécies ali presentes, já que o óleo cria uma camada que impede as trocas gasosas e a passagem de luz. Cada litro de óleo pode poluir até um milhão de litros de água.

Na região, o município de Itajaí tem os Ecopontos, que são locais de fácil acesso, como supermercados e escolas. Confira a lista de descarte ecológico para quem quiser contribuir com o meio ambiente:

C.E.I. Daiana Maria de Souza – Rua João Galvão Fernandes, s/n / Cidade Nova
Unidade de Saúde da Murta – Rua Orlandina Amália Pires Correa, 300 / Murta
Coordenadoria Regional de Cordeiros – Rua Silvestre Moser, 379 / Cordeiros
Coordenadoria Regional de Itaipava – Rua Mansueto Felizardo Vieira, s/n / Itaipava
Coordenadoria Regional de São Vicente – Rua Nilson Edson dos Santos, esquina com Rua Chapecó
Coordenadoria Regional da Fazenda/Praia Brava – Rua Osni Mello, 99 / Fazenda
ECOSORB – Av. Coronel Eugênio Muller, 583 / Centro
Fundação do Meio Ambiente de Itajaí (FAMAI) – Rua XV de Novembro, 378 / Centro
Supermercado Koch – Rua José Pereira Liberato, 1190 / São João
Supermercado Xande – Av. 7 de Setembro, 1330 / Centro
Viveiro Fazenda Nativa – Rua Osvaldo Bertemes, 144 / Fazenda

Em Blumenau, o descarte dos resíduos pode ser feito nos supermercados Giassi, Galegão e nas filiais da Rede Top e Cooper. Em Brusque o supermercado Carol também possui um ecoponto. Já na cidade vizinha, Itapema, a coleta deste resíduo ainda não é realizada, porém, no bairro Casa Branca, alguns de seus moradores ainda dão um direcionamento útil a este material.

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No supermercado Giassi em Blumenau, o ecoponto está localizado no G2 antes da entrada. (Foto: Adrielle Demarchi)

Além de sabão caseiro, o óleo pode ter como finalidade a fabricação de biodiesel, e, no caso de localidades onde não há a coleta, é possível engarrafar o óleo em garrafas pet e levar até a coleta de lixo, que poderá descartar o material no aterro municipal. A engenheira Gisely vem alertar do problema que é descartar diretamente no solo, pois a decomposição do mesmo é mais lenta e chega a contaminar os lençóis freáticos. Juntamente com o vidro, pneus/borracha e louça/cerâmica, o óleo de cozinha está entre os piores materiais para decomposição, sendo que seu tempo estimulado é indeterminado.

Projeto de Óleo no Futuro

O Projeto faz parte do Programa Estadual de Coleta, Reciclagem e Beneficiamento do Óleo de Cozinha, da SDS (Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável), com convênios assinados entre a Prefeitura de Balneário Camboriú, a Secretaria de Desenvolvimento Regional de Itajaí e a Empresa Ambiental Santos. O “Óleo no Futuro” tem como objetivo principal a proteção dos recursos naturais, com foco nos recursos hídricos, pois um litro de óleo despejado nos rios polui até um milhão de litros de água e contamina o solo. Quando despejado no ralo pode provocar o entupimento das tubulações da rede de esgoto.

O projeto foi implantado em toda a Rede Municipal de Ensino em 2011, como forma de não poluir o meio ambiente a partir de ações de conscientização e da promoção de práticas ambientalmente corretas de destinação do óleo vegetal utilizado em cozinhas domésticas e manter postos de coleta para toda comunidade.

O projeto tem o acompanhamento da Secretaria do Meio Ambiente por meio do setor de educação ambiental (Programa Terra Limpa) e da coordenação de projetos especiais. A coleta é realizada pela empresa Ambiental Santos e no ano de 2014 foram coletados 3.264 litros de óleo de cozinha usado. A cada 100 litros de óleo a empresa dá em troca 10 litros de detergente ou água sanitária, ou 5 kg de sabão em barra ou pasta.

Diversas atividades são realizadas nas unidades escolares para sensibilizar a comunidade a respeito da importância de dar um destino ambientalmente correto para este resíduo. Cada unidade escolar atua como um ecoponto.

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Arte: Adrielle Demarchi
Óleo como biocombustível

Em Blumenau, foi criado no ano de 2010 o projeto Enerbio na Universidade Regional de Blumenau (FURB), em parceria com o Ministério de Ciência e Tecnologia por meio do FINEP – Financiadora de Estudos, que tinha como objetivo principal a interação entre a universidade e quatro escolas de região. O projeto permitiu expandir para os alunos do ensino médio o conhecimento das ciências e engenharias.

O objetivo principal foi o de popularizar a tecnologia de produção de biocombustíveis entre professores e alunos do ensino médio. Segundo a professora Griseldes Fredel Boos, ex -coordenadora do Enerbio na FURB, existiam atividades de formação para o ensino de ciências e tecnologias de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, e em decorrência a instalação de unidades de produção de biocombustíveis a partir de resíduos de óleo. Para isso, uma das tarefas dos alunos participantes do projeto era a de coletar o óleo de cozinha para que fosse transformado em biocombustível nos laboratórios da universidade.

O projeto teve um retorno muito positivo e ajudou na capacitação dos professores e alunos participantes nos temas relacionados, como petróleo, gás e sustentabilidade. Os alunos tiveram um maior contato com o processo de transformação do óleo utilizado nas frituras em óleo combustível e receberam em suas escolas o chamado “Clube de Ciências”, que forneceu aos laboratórios instrumentos, materiais e um gerador de energia, que permanece nas escolas, mesmo com o fim do projeto em 2014.

Como o projeto foi o único aprovado em Santa Catarina, ele foi de extrema relevância no meio acadêmico. Foram apresentados e publicados 17 artigos em Congressos Nacionais e Internacionais, 4 dissertações, 2 artigos em periódicos e 1 capítulo de livro.

Faça você mesmo o sabão com óleo de cozinha!

1 litro de azeite (usado ou novo)
1 pacote de soda
1 copo grande de sabão em pó
1 copo grande de amaciante
1 copo grande de água

Mexer a todo momento e ir acrescentando água aos poucos. O ponto é igual a uma polenta dura. Despeje numa forma, deixe endurecer até no outro dia, depois corte em barras. Por segurança, mantenha distância para não respingar o composto, que contêm soda cáustica.

 

 

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