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Com que roupa eu vou? A mais barata, por favor!

Crise financeira estimula brasileiros a comprarem roupas em brechós. Loja de Itajaí teve acréscimo de 30% no movimento em um ano.

Crise financeira estimula brasileiros a comprarem roupas em brechós. Loja de Itajaí teve acréscimo de 30% no movimento em um ano

Preço alto e salário baixo. É desta forma que grande parte dos brasileiros está enfrentando a crise econômica. Com os juros e a inflação altos, o poder de compra da população só diminui enquanto o desemprego aumenta. Se até o feijão virou artigo de luxo, o que dirá os itens tidos como supérfluos, como roupas e sapatos?

A alternativa é buscar produtos mais em conta, mesmo que para isso sejam de segunda mão. Foi o que dona Célia fez ao virar cliente de um brechó em Itajaí. A auxiliar de serviços gerais depende da procura dos clientes para ter uma renda e, com o corte de gastos dos contratantes, o orçamento ficou mais apertado. Foi aí que ela descobriu uma forma de economizar nas compras das roupas da família. “Aqui no brechó tem coisa de qualidade, sempre acho coisa boa! E o melhor: barato”, afirma.

BRECHO
Brechó mantém araras cheias com o aumento na compra e venda de roupas (Foto: Bruna Bertoletti)

Segundo o gerente do brechó, Junior Lemos, o movimento da loja aumentou entre 30% e 40% do ano passado para cá, o que comprova que não é só a dona Célia que está mudando os hábitos diante da situação econômica do país. “A gente percebe que as pessoas estão perdendo o preconceito com os brechós e aproveitando a economia necessária para comprar mais barato”.

Seu Josué entende bem de economia e sempre dá uma passadinha no brechó para ver se alguma peça está com o preço atrativo. Opções não faltam! As etiquetas estão marcadas a partir de R$ 15. Desta vez o aposentado aproveitou o frio para levar um casaco quentinho que saiu por apenas R$ 20. “É bem mais barato que comprar um novo, né? Vale muito a pena”, ressalta.

VELHO
Seu Josué Aproveitou a ida ao brechó para comprar um sapato novo (Foto: Bruna Bertoletti)

E se mesmo assim comprar produtos novos, mesmo que de segunda mão, não cabe no orçamento, o jeito é arrumar o que já tem. O mercado de consertos também está em alta com a crise econômica. Sapateiro há 17 anos, Rafael Amorim da Silva nunca viu tanto movimento em sua loja. As encomendas não param e as pilhas de sapato vão se acumulando. Em uma semana, mais de cem pares estão no almoxarifado esperando para serem consertados.

Se a crise deixou muita gente sem emprego, para Rafael a situação foi bem diferente. “O movimento aumento muito mesmo, nem no domingo estou conseguindo folgar. As pessoas estão buscando mais o conserto do que um novo de vez”, comenta.

SAPATEIRO
Rafael está faturando na crise com o conserto de calçados (foto: Bruna Bertoletti)

De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e pequenas Empresas (Sebrae), as micro e pequenas empresas que comercializam artigos usados cresceram 210% em cinco anos. De acordo com a especialista em marketing pessoal Graciela Moraes, são nestes momentos de crise que os empreendedores aparecem e se destacam no mercado. “São pessoas que nadam contra a corrente para vencer a força da recessão e acabam tendo resultados mais satisfatórios até do que imaginavam”.

Fechando negócio online

A comodidade e praticidade das compras online já caíram no gosto dos brasileiros, mas a moda agora não é só visitar sites de marcas conhecidas. O mercado dos produtos usados também ganhou vez na internet, através de plataformas como o “Enjoei”.

compra
Site de compra e venda de roupas usadas faz sucesso entre as jovens (imagem: divulgação)

O site é uma verdadeira loja online em que é possível vender e comprar roupas e acessórios de forma simples e por um preço acessível. A ideia surgiu em 2009 quando dois jovens foram morar juntos e viram que faltava espaço no armário para tanta roupa. Ela, então, decidiu criar um blog para vender as peças, mas a procura foi tão grande que a loja virou um site. Em média, o Enjoei recebe 8 mil novos produtos por dia.

Atualmente, sessenta pessoas trabalham por dia na empresa que teve um faturamento superior a R$ 80 milhões no ano passado. O site fica com 20% do valor de cada venda que inclui o frente dos Correios. Quem usa, aprova a ideia. “Eu sempre comprei online e quando conheci o Enjoei percebi que podia ter roupas novas por um preço acessível e ainda vender o que já não usava mais. Ou seja, compro e ainda faturo”, conta a estudante Karolina Weiss.

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