Cidades

Calçadão de Balneário Camboriú prepara projeto de praça de alimentação compartilhada

Empresários locais criaram a Associação de Comerciantes do Calçadão da Avenida Central para gerir esse projeto e outras melhorias, como a cobertura e a troca do piso

Empresários locais criaram a Associação de Comerciantes do Calçadão da Avenida Central para gerir esse projeto e outras melhorias, como a cobertura e a troca do piso

Texto: Matheus Berkenbrock e Renata Rutes 
Edição: Douglas Schinatto 

Após várias reuniões entre vereadores, prefeitura e comerciantes do Calçadão da Avenida Central, ficou decidido que até a próxima temporada o local será transformado em uma praça de alimentação compartilhada. No ano que vem a ideia é fazer a cobertura e a troca do piso do espaço. Tudo isso será apresentado ao Ministério Público, em audiência marcada para o próximo dia 29.

ACCBC

Tudo começou com a união de 11 comerciantes do Calçadão, motivados pelas cobranças do MP, já que a prefeitura prometeu realizar toda a revitalização do local e jamais terminou a obra. O projeto contava com a cobertura do passeio, mas isso nunca saiu do papel. Dessa conexão, surgiu a Associação de Comerciantes do Calçadão da Avenida Central, Ruas 15 e 11 (ACCBC), que já reúne 22 associados – há mais de 30 comércios no Calçadão, então boa parte dos comerciantes já aderiu. Antigamente havia outra entidade no local, mais focada nos lojistas, mas com o tempo acabou.

O presidente da nova associação é o comerciante João Maria dos Santos e Silva, que possui uma sorveteria no Calçadão há nove anos. Ele explica que o descontentamento é geral, motivado principalmente pela última temporada e pelo mau uso do espaço entre os comerciantes, que utilizam mesas e cadeiras do modo que querem, ocupando o espaço público sem a devida concessão.

“Do jeito que está não dá mais pra ficar, não. Dizem que o Calçadão é o coração de Balneário Camboriú, e hoje sentimos que ele está abandonado. Queremos que o morador venha nos visitar, que seja um lugar para as famílias… e sabemos que hoje não é assim, pois hoje há muitas pessoas que vêm até aqui para beber e badernar”, diz João Maria dos Santos e Silva.

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João aguarda pelas melhorias da localidade (Foto: Renata Rutes)

Futuro

A última reunião aconteceu na sexta-feira (17) e foi definido que apresentarão ao MP que ACCBC e prefeitura uniram forças e que a principal ideia é a criação da praça de alimentação compartilhada. A princípio idealizaram um espaço parecido com o Passeio San Miguel, mas isso mudou. “Esse espaço é bem menor do que o nosso e é só uma pessoa que o administra. Mas realmente queremos padronizar o Calçadão, comprar as mesmas mesas e cadeiras para todos e medir o espaço que cada pessoa deve ocupar”, explica.

Porém, há comerciantes com receio de que o público ocupe sem consumir no local. Como o espaço é público, não há como proibir isto. Por não ter tanto tempo até o verão, neste ano somente a praça sairá do papel. “Teremos que esperar até 2017 para conversar com o novo prefeito e então fazer a cobertura e demais obras, que demandam mais tempo, como a possível troca do piso,”, comenta.

Falta de segurança é outro problema

Outros problemas que o Calçadão enfrenta é a falta de segurança e a sensação de ‘impunidade’. Mesmo com a Guarda Municipal nas proximidades (há um posto na Praça Almirante Tamandaré), os comerciantes sentem que isto não tem sido suficiente, considerando o consumo de bebidas alcoólicas por menores de idade, além de usuários de drogas que consomem entorpecentes no espaço. “Sabemos que isso tudo é uma vergonha e que não pode mais continuar assim. Não queremos que o Calçadão reúna esse tipo de situação, por isso queremos contratar um segurança particular. Também estamos trabalhando na conscientização dos comerciantes, para que eles não vendam álcool para menores e que prestem atenção quando um grupo de adolescentes estiver junto de um maior, porque facilitação também é crime e acontece muito”, informa.

A pedido de moradores das redondezas outro estudo que está sendo feito é o do horário de funcionamento dos comércios do passeio. “Sabemos que não podemos ficar até tarde, porque muitas pessoas ficam por aqui e fazem barulho. Respeitamos a comunidade e tudo isso está sendo analisado. O problema hoje é o mercado, que fica aberto 24h. Mesmo com todos os comércios fechados, ele continua aberto. Vamos conversar com o dono desse estabelecimento, até mesmo para saber questões como alvará de funcionamento, porque nenhum outro comerciante tem permissão para funcionar o dia todo”, explica.

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Calçadão é sempre movimentado e frequentado por famílias (Foto: Renata Rutes)

Regras

A ACCBC administra o espaço e pode penalizar os que forem contra as regras, assim como acontece no Morro do Careca. O advogado que representa os comerciantes, Lucas Zenatti, explica que estão buscando uma solução para que a próxima temporada não seja como foi a última, em que o público não podia nem circular por conta dos excessos (de mesas e cadeiras). “Se a prefeitura disser que cada local só pode ter quatro mesas, por exemplo, todos terão que cumprir. Se hoje você solicita para a prefeitura uma autorização para colocar mesas e cadeiras no Calçadão eles nem respondem. Tem um comerciante que pediu e até hoje não teve resposta – e ele está utilizando (mesas e cadeiras)”, salienta.

Lucas confirmou a versão apresentada por João, de que haverá limite no horário de funcionamento. “Sabemos que, principalmente na temporada, os bares e restaurantes ficam abertos até tarde, perturbando o sossego alheio e iremos resolver esse problema”, diz.

O que diz a vereadora

Marisa Zanoni está acompanhando de perto as discussões sobre o futuro do Calçadão e opina que ‘é impossível que o espaço não tenha cobertura’, afirmando que não sabe se será fixa ou removível, mas que terá. O acordo, segundo ela, é que a prefeitura seja responsável por toda a montagem do equipamento, inclusive pela compra de mesas e cadeiras, e que a associação administre o Calçadão e faça os pequenos reparos que se farão necessários.

Marisa concorda com a necessidade da diminuição do barulho. “O Calçadão será um espaço bonito, não poderá mais abrigar bêbados e gritarias. Os comerciantes também se incomodam com isso”, explica.

Ela também lembra a venda de bebida alcoólica para menores no local e salienta que o poder público precisa fazer algo para coibir isto. “Há adolescentes que viram a noite no Calçadão. Falta fiscalização, sim. Por exemplo, na Inglaterra se você vende álcool para menores recebe uma multa altíssima. Se você entra em um bar, precisa mostrar a identidade. Aqui também deveria ser assim. Precisamos avançar e muito nesse aspecto”, comenta

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