Entrevista

Jornalismo internacional: vida de repórter na BBC

Egresso da Univali, jornalista Jefferson Puff, repórter da BBC Brasil no Rio de Janeiro, conta um pouco sobre a experiência diária de um correspondente internacional

Egresso da Univali, jornalista Jefferson Puff, repórter da BBC Brasil no Rio de Janeiro, conta um pouco sobre a experiência diária de um correspondente internacional

Texto: Luzara Pinho

Ir além, atravessar horizontes e conhecer o mundo. Essas sempre foram algumas das vontades de Jefferson Puff, que hoje é correspondente internacional na BBC Brasil. O jornalista, egresso do curso de Jornalismo da Univali, esteve recentemente conversando com acadêmicos – e futuros colegas de profissão – sobre os desafios de ser correspondente e das metas traçadas para alcançar seu objetivo.

Puff, formado desde 2005, passou por diversas experiências profissionais até alcançar o cargo atual. Na produção de seu TCC, no qual trabalhou a temática dos correspondentes internacionais, fez a cobertura dos atentados terroristas em Londres de 2007 e conseguiu seu primeiro emprego no Jornal ANotícia, de  Joinville. Desde então, fez mestrado fora do país e também trabalhou como assessor de imprensa. Há quatro anos trabalha na BBC Brasil e hoje está na redação do Rio de Janeiro, onde compartilha histórias e notícias do nosso país para o mundo inteiro.

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Foto: Luzara Pinho

“Sejam humildes, mas metam a cara e topem os desafios” – Jefferson Puff

Alunos, professores e convidados tiveram a oportunidade de trocar ideias e fazer questionamentos ao jornalista. Acompanhe alguns trechos do bate-papo:

Como você produz notícias do Brasil para fora, existe algum tipo de indicação para fazer uma determinada imagem do Brasil no exterior?

Não, mas é uma coisa que a gente discute na redação. Às vezes, a gente tenta fazer uma coisa mais equilibrada, então a matéria vai ao ar, mas quando se entra ao vivo pode ter um frame negativo, dependendo do questionamento do apresentador. O jornalismo tem essa preponderância de ver o que está negativo, ver o que não está certo para melhorar. Outro fator é que a mídia tende a pressionar mais os países em desenvolvimento.

Você tem esse encanto pelo jornalismo internacional desde o primeiro período do curso de comunicação. Durante a vida acadêmica você teve alguma vivência que te incentivou ainda mais a trabalhar com isso?

Durante a faculdade, com o jornalismo internacional não tanto. Tirava dúvidas com professores, lia autores que poderiam direcionar, mas é tanta coisa que você tem que aprende na faculdade que não dá tempo. Eu tranquei a faculdade no terceiro período para fazer um intercâmbio nos Estados Unidos e acho que isso atiçou um pouco mais. Mas acredito que foi mesmo pelas leituras que eu fazia por conta própria. As coisas do dia a dia do curso, as experiências extracurriculares abrem o horizonte e deslumbram outras possibilidades.

Vocês no Brasil que filtram as notícias que serão mandadas para a BBC em outros países ou é o contrário?

Têm as duas situações. Às vezes sugerimos as pautas, mandamos o texto de sugestão, e eles dão retorno dizendo se aprovam ou não, mas tem o pedido de pautas. Automaticamente você começa a criar um senso do que interessa ou não para os outros países. Começa assim a perceber elementos que interessam ao mundo todo e o grau de curiosidade.

E como surgem as pautas?

A gente tem que estar de olho em tudo ao nosso redor. Trocamos constantemente dicas e informações com nossos editores e equipe de trabalho. Vai da sua pesquisa, do contato com os editores. Outro fator importante é procurar outras vertentes de assuntos que estão em alta, pois é um jeito rápido e eficiente de entrar na história e que talvez possa contribuir com o debate em torno do assunto.

O que acha da ironia utilizada por correspondentes de outros países quando falam do Brasil no exterior. Não é uma conduta errada?

Acho que é de gosto duvidoso. Várias coisas que acontecem nos chocam pelo nível de ironia e a visão exagerada. Eu não concordo com esta conduta. A BBC é rígida com isso, trata de forma igualitária qualquer país, até mesmo pelo fato de ser fonte referência de notícias, qualquer deslize nesse sentido seria prejudicial.

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