Cidades

Da praia ao engenho: turismo rural é a nova sensação entre municípios catarinenses

Barra Velha e Joinville são cidades que apostam no potencial turístico das propriedades rurais para movimentar o setor

Barra Velha e Joinville são cidades que apostam no potencial turístico das propriedades rurais para movimentar o setor e impulsionar as visitas

Texto: Alan Willian e Talissa Peixer
Edição: Luzara Pinho

De acordo com estimativa do IBGE divulgada em 2015, Barra Velha tem 26.374 habitantes, mas no verão a população flutuante ultrapassa os 120 mil. Esse alto fluxo, conhecido como turismo de sol e praia, movimentou mais de R$ 20 milhões na temporada 2016, segundo pesquisa da Santur. O estudo revela ainda que o maior índice de visitantes é de catarinenses (54,58%), seguidos pelos vizinhos paranaenses (27,11%). Mas passados os três meses de badalação, em março é hora de se despedir. É a partir daí que o comércio da cidade que vive do turismo passa a se preocupar.

Segundo o gerente de hotel, Gilberto Borba, o movimento cai drasticamente após o início das aulas e, com o início de março as reservas se tornam pouco frequentes. “Nós precisamos explorar ao máximo o verão. É certo que, com o fim dele, passaremos por tempos de vacas magras. Necessitamos mudar as políticas públicas de turismo para que o trade se mantenha forte”, afirmou.

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No entanto, o presidente do Conselho Municipal de Turismo, Cléber de Souza, cobra maior envolvimento do trade na hora de fiscalizar e propor mudanças. O órgão foi reativado no início de 2015 após convocação de todas as classes turísticas, porém, não conseguiu desenvolver um trabalho sólido. “As reuniões que aconteciam mensalmente deixaram de acontecer por falta de engajamento e presença dos conselheiros”, afirma Cléber.

O turismo volta com força em setembro, quando a cidade realiza a Festa Nacional do Pirão, evento cultural e gastronômico criado em 1997. Orlando Nogaroli era prefeito quando decidiu criar o evento para impulsionar o turismo além do verão. “Junto com o ator Fausto Rocha, que era secretário de Turismo, e o artista Juarez Machado criamos a festa para valorizar esse prato típico da região. No início foi motivo de piada, mas hoje é motivo de hotéis lotados e comércio movimentado em baixa temporada”, destaca Orlando.

Mas se, no Litoral Catarinense, o auge do turismo é no verão, em Joinville esse fato é o contrário. No verão, as ruas da cidade se tornam vazias. Os moradores saem para veranear nas cidades próximas. É no inverno que se registra o maior movimento turístico. “De acordo com o relatório do Viva Bem – Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Joinville e Região, a maior taxa de ocupação dos hotéis é no mês de julho, durante o Festival de Dança. Em Joinville, o turismo de eventos é um nicho consolidado e garante movimento na cidade durante o ano todo”, explica o diretor presidente da Fundação Turística da cidade, Raulino Esbiteskoski.

Para Raulino, além de eventos culturais consolidados no município, como a Festa das Flores, o Festival de Dança e a Bierville, eventos coorporativos, como a Expogestão, Exposuper, Interplast, Metalurgia e Intermach, atraem grande número de visitantes, movimentando a cadeia turística da cidade.

“Além disso, o turismo rural é outro produto fundamental para a sustentabilidade do setor. O Viva Ciranda, programa de turismo rural pedagógico de Joinville, conta hoje com a participação de 16 propriedades distribuídas nas cinco áreas rurais da cidade: Piraí, Quiriri, Estrada Bonita, Estrada Dona Francisca e Estrada da Ilha”, aponta Raulino.

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Projeto Viva Ciranda é a aposta do turismo pedagógico em Joinville.

E é exatamente nesse setor que Barra Velha aposta suas fichas a partir desse mês. Com cerimônia de lançamento marcada para o dia 29 de junho, a rota rural “Caminhos do Interior” é uma iniciativa da Fundação de Turismo, Esporte e Cultura que pretende expandir o fluxo turístico para a área rural onde, além das belezas naturais, há uma variedade de produtores aptos a atender os apreciadores do dia a dia na roça. Mais de vinte ruralistas já aderiram ao programa que contará também com o apoio da Secretaria de Agricultura e Vigilância Sanitária para a padronização das normas sanitárias.

João Antônio Vicente, diretor da Fundação, destaca que serão colocados três portais indicando o início da rota: um no início da Rua João Pedro de Oliveira, no bairro São Cristóvão, e outros dois no bairro Medeiros. “Cada ponto de parada terá uma placa de sinalização. Também estamos produzindo um mapa no mesmo formato do que já usamos para promover a área urbana. Tudo isso sem onerar custos aos participantes”. João acredita que o projeto vai trazer inúmeros benefícios para a comunidade, como melhorias na sinalização urbana, na malha viária e, claro, fomentando a economia dos produtores.

O Rancho da Dona Lili é o mais novo empreendimento do bairro Medeiros. A proprietária é Sueli Bernardes, 67 anos, que acreditou no potencial do projeto e reformou o espaço que tinha nos fundos de casa. Agora o ambiente está pronto para receber visitantes e servir o tradicional café colonial.

Além do Rancho, o roteiro já conta com produtores de farinha, conservas, embutidos, hortifrutigranjeiros, pontos de gastronomia e um pesque-pague. Além desses, a rota incluirá atrativos já conhecidos como a produção de cristais, a Parada Ferreti e a Capela Cristo Rei. Inaugurada no dia 22 de setembro de 1957, a capela no bairro Rio Novo pode ser considerada uma das mais antigas e preservadas da Paróquia Divino Espírito Santo.

– Sem dúvida estamos trabalhando para fomentar o turismo na baixa temporada. Isso é um obstáculo que estamos superando aos poucos. Nossa cidade cresceu e não podemos mais depender do verão. Em 2015 foi o ano que mais gastamos com turismo, seja ele cultural, esportivo ou de eventos. A Rota Rural é o nosso novo desafio. Há tentativas de implantá-la desde 1999. Agora, com novas parcerias ela dará certo, afirmou João Antônio.

As parcerias mencionadas pelo diretor trata-se de um grupo que estuda a implantação de um pacote turístico integrando os municípios de Barra Velha, Itajaí, e Nova Trento. Sendo o Santuário Santa Paulina o atrativo de Nova Trento, a Rota de Pedestres de Itajaí e a Rota Rural Caminhos do Interior em Barra Velha. O projeto está em fase de elaboração do material gráfico e captação de potenciais parceiros. A ideia é comercializar o pacote no segundo semestre de 2016 através da esfera privada e em Feiras de Turismo em que os membros do grupo participam. Segundo o diretor da Fumtec, a criação do grupo é uma demonstração importante da união entre as esferas pública e privada, além de ser fundamental para a expansão do turismo no inverno.

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Reuniões itinerantes acontecem nas cidades que vão integrar o projeto.  Foto: Divulgação

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