Tecnologia

Maratonas de séries e conteúdos originais reforçam o Netflix segundo especialistas

Relembre o crescimento do serviço que começou com aluguel de DVDs

O sucesso do serviço de streaming Netflix cresce e especialistas apostam em novas tendências no formato de assistir televisão

Texto: Iana Girardi e Lucas Machado
Edição: Mariana Ricardo

Um serviço de entrega de DVD’s pelo correio em que o cliente, de acordo com seu plano mensal, recebia as opções de quantos filmes poderia pedir por mês e, depois de assistir, devolvia em envelopes pré-pagos da empresa. Era assim que funcionava até então o Netflix, a plataforma de conteúdo online mais popular atualmente, quando foi fundada em 1997 por Reed Hastings e Marc Randolph nos Estados Unidos.

Com a evolução da tecnologia e por consequência da internet surgiram formas de transmissão cada vez mais rápidas e eficientes como o wifi, internet sem fio e internet de fibra óptica. Esses avanços permitiram a criação de serviços via streaming (fluxo de mídia) de filmes e séries, e foi a partir daí que a empresa começou a crescer e se expandir pelo mundo.  O serviço de streaming do Netflix – Confira aqui a trajetória do Netflix –  foi primeiramente disponibilizado em 2007 nos Estados Unidos, seguido pelo Canadá no ano de 2010. Aqui no Brasil a chegada foi logo depois, em 2011. Hoje a empresa atua em mais de 190 países e conta com mais de 80 milhões de assinaturas.

A plataforma oferece para o cliente um mês de assinatura grátis e, para continuar acessando o serviço após a vantagem, o cliente deverá realizar o pagamento mensal de acordo com o plano escolhido. A interface pode ser acessada através de computadores, tablets, celulares, smart TV’s, videogames, streaming players e conta com um catálogo de milhares de filmes, séries, desenhos animados e documentários.

Em 2013 a empresa começou a produzir sua própria programação com séries e filmes originais disponíveis em diversos países. Visando aumentar ainda mais a sua gama de ações, o Netflix fechou parceria com a DreamWorks, Marvel, com o ator Adam Sandler e a comediante Chelsea Handler.

O streaming de filmes acabou tomando boa parte do público de outros serviços, como a TV por assinatura e, principalmente as redes de locadoras. A estudante de arquitetura Isabelle Baracy, 20 anos, conta que antigamente seu pai era dono de uma locadora de filmes, porém, como tantas outras que perderam lugar pra o avanço da internet, o local acabou fechando. A acadêmica assina o Netflix desde 2012 e desde então se considera uma “viciada” no serviço. “O principal motivo de assinar o Netflix são as séries, mas é sempre o primeiro lugar que procuro por filmes também”, explica.

Rodrigo Ramos é jornalista egresso da Univali e criador do site Previamente, especializado em cultura pop. Para ele, as séries são como o carro-chefe do Netflix, principalmente após o serviço começar a investir em produções originais. “Não têm filmes muito recentes, por isso algumas pessoas ainda recorrem a pirataria, locadoras convencionais ou até mesmo aos canais pagos, como Telecine e HBO. Por isso acredito que foram as séries mesmo que ajudaram a popularizar a plataforma”.

A professora Valquíria John, doutora em Comunicação e Informação, tendo em sua tese o objeto de estudo “ficção seriada”, explica como o Netflix pode mudar o comportamento do público e o próprio modo de ver televisão. De acordo com a professora, o responsável pela mudança de comportamento é o fenômeno inaugurado pela plataforma chamado de binge-watching (maratonar) que permite ao público assistir vários episódios de uma série em uma só vez. “O processo de maratonas muda o comportamento, já que a lógica da série é um episódio a cada semana gerando uma expectativa para o próximo capítulo. Então isso muda a maneira de assistir televisão e gera um impacto na narrativa da TV tradicional”, explica.

Mesmo que o Netflix possa substituir algumas vezes a televisão tradicional, Rodrigo ainda afirma que o serviço carece com outros determinados tipos de conteúdo. “Um exemplo são os talk-shows, um tipo de programa que estava faltando lá. E que agora eles estão correndo atrás. No mês passado, estreou ‘Chelsea’, o primeiro talk-show original”, declara Rodrigo, que também destaca o jornalismo e programas de esporte como formatos que a empresa ainda irá investir. “Creio que eles vão tentar abranger todas as áreas possíveis para continuarem crescendo no mercado”.

 

 

 

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