Comportamento

Aplicativos de relacionamento para gays fazem sucesso entre os homens

Grindr, app para homossexuais homens, reúne mais de 6 mil usuários no Brasil

Grindr, app para homossexuais homens, reúne mais de 6 mil usuários no Brasil. Relacionamentos iniciados nas redes exigem cuidados dos usuários

Texto: Iana Girardi e Lucas Machado
Edição: Mariana Ricardo

Conhecido como o mais popular aplicativo de relacionamento homossexual do mundo, o Grindr foi criado pelo americano Joel Simkhal e começou a se popularizar no Brasil no ano de 2011. Atualmente, o país é responsável por mais de 6.000 usuários da plataforma, que conecta mais de 2 milhões de pessoas. Motivado pela sua frustração com outros sites de relacionamento, Simkhal decidiu criar uma rede que levasse em consideração a localização dos usuários bissexuais e homossexuais, permitindo um contato com pessoas mais próximas.

Assim como em outros aplicativos com o mesmo propósito, quem utiliza do Grindr pode criar uma conta e adicionar, ou não, fotos e informações básicas sobre seu perfil. A rede exibe aos usuários os perfis dos possíveis pretendentes mais próximos, de acordo com a localização que encontra o  celular. Caso ambos os perfis se interessem um pelo outro, são levados para um chat privado. A fama da plataforma se dá principalmente pela facilidade que ela proporciona aos indivíduos de se conectarem uns com os outros, proporcionando-lhes a liberdade de escolher quem mais interessar, para enfim marcarem encontros e se conhecerem.

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Layout do aplicativo Grindr | Divulgação

Para a psicóloga Aline Santos, de Itajaí (SC), outro lado positivo do aplicativo é que ele permite o homem a experimentar e realizar seus desejos, preservando sua identidade através de perfis anônimos, sem foto e informações pessoais. A psicóloga explica que falar sobre assuntos que envolvem sexualidade é complicado e que, por ela se manifestar de formas diferentes em cada pessoa, não se pode generalizar ou rotular tudo.

“Não podemos certamente afirmar que todos esses usuários de aplicativos gays são necessariamente gays. A sexualidade humana é muito complexa, muitas vezes temos fantasias, fetiches”, afirma a psicóloga.

A rede Grindr por enquanto oferece o seu serviço apenas para homens gays e bissexuais, mas planeja criar versões também para lésbicas e heterossexuais. Aline explica também que a facilidade de relação com o mínimo de exposição que o app de encontro oferece é mais positiva para os homens. “No mundo, mulheres terem relações com o mesmo sexo é relativamente mais aceitável por conta de uma cultura que incentiva essa prática. Já no caso dos homens ainda existe um grande tabu, por isso o preconceito é deles com eles mesmos”. Apesar da popularidade, a fama desses aplicativos também acaba trazendo efeitos negativos. A facilidade de conexão entre as pessoas acaba pondo em cheque a busca por relacionamentos via encontros pessoais, gerando um contato por vezes frio e superficial.

O acadêmico de Nutrição B.P., 21 anos, é homossexual não assumido e criou seu perfil no Grindr há cerca de dois anos com o objetivo único de conseguir relações de forma rápida e fácil. O jovem conta que, para ele, esses aplicativos não servem como forma de criar amizades ou relacionamentos. “Consegui fazer um amigo pelo aplicativo, que hoje é um dos meus melhores amigos. Mas foi o único mesmo, nunca me conectei o suficiente com alguém para criar um relacionamento”, explica.

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Anúncio do aplicativo no Brasil | Divulgação

Entretanto, o problema mais sério que ronda a fama das plataformas de relacionamento foi anunciado pelo departamento de saúde de Rhode Island. De acordo com estudos realizados no estado, mais de 60% dos homens gays e bissexuais diagnosticado com HIV admitiram marcar encontros por meio dos aplicativos de celular.

O levantamento foi feito durando o ano de 2013 e, durante o estudo, grande parte dos infectados acreditava ter contraído o vírus de parceiros que conheceram online. O estudante B.P fala que é necessário ter mais cuidado nas relações com as pessoas que conhece na rede. “Me preocupo sim com a proteção. Quando recebo mensagem de perfis anônimos ou fakes nem respondo”, conta.

Os autores do estudo realizado no estado americano explicam que é importante a inclusão de alertas e informações sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s) nos sites e aplicativos de encontro. Porém, pela falta de verba das agências de saúde em geral, a iniciativa deve surgir dos próprios provedores do serviço.

Mesmo que grande parcela dos perfis do Grindr e derivados estejam procurando apenas uma noite de sexo casual, as coisas foram diferentes para o designer gráfico Brenno Pinheiro, 20 anos. Há cerca de dois anos, Brenno iniciou um relacionamento sério com um dos pretendentes que encontrou na rede. “Quando eu perguntei o que ele curtia, ele me respondeu sobre filmes e séries. E isso me chamou atenção porque me mostrou uma inocência também, e eu me vi no lugar dele. Então, comecei a tratá-lo de forma diferente”, conta.

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Brenno iniciou um relacionamento através do aplicativo | Foto: acervo pessoal

 

Apesar da maioria das abordagens realizada pelos usuários serem com objetivo sexual, há sim quem procure a ferramenta com o intuito de estabelecer uma conexão mais profunda. “Pra mim o fato de ter conhecido ele em um app não muda nada. Acho que a plataforma foi criada justamente como uma janela a mais para encontrar pessoas, para você ter contato com pessoas de interesses iguais ao seu”, defende Brenno.

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