Bem-Estar

Imonuterapia: um tratamento para o câncer

O objetivo é estimular o sistema imunológico através de substâncias que modificam a tradicional resposta biológica e dessa forma o próprio organismo trabalhar contra o câncer

Método utiliza do sistema imunológico para combater a doença

Texto: Bárbara Porto Marcelino e Lucas Rosa
Edição: Luana Cristina

A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), para o ano de 2016, é de que ocorram mais de 600 mil casos de câncer no Brasil. Uma doença que, muitas vezes, é tratada com métodos que deixam o paciente debilitado, como radioterapia e quimioterapia. Porém, recentemente começou a ser implantado um novo tipo de tratamento para o câncer, que promete ser mais eficiente que os métodos já utilizados. É a imunoterapia.

De acordo com Karyn Maman, enfermeira e coordenadora dos estudos da imunoterapia no Centro de Novos Tratamentos de Câncer, de Itajaí, esse tratamento tem como objetivo estimular o sistema imunológico através de substâncias que modificam a tradicional resposta biológica, dessa forma o próprio organismo trabalha contra o câncer. O tratamento do câncer através da imunoterapia foi aprovado em 2015, nos Estados Unidos, e recentemente chegou ao Brasil. Aqui é comercializado o Ipilimumabe, que combate um tipo específico de proteína, a CTLA-4.

Entenda melhor o tratamento:

A coordenadora também explica que a imunoterapia é menos invasiva que outros tratamentos, como a quimioterapia e a radioterapia. Esses métodos aos poucos vão destruindo o organismo dos portadores da doença. Atualmente o centro de novos tratamentos realiza as pesquisas com poucos pacientes voluntários e, até o momento, o único efeito colateral relatado, se assemelha aos sintomas de uma gripe comum no dia seguinte a infusão.

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QUIMIOTERAPIA

Marisa Izete Rosa, de 52 anos, descobriu que tinha um câncer de mama há um ano. Para tratá-lo recorreu a um método convencional. Ela faz sessões de quimioterapia a cada 21 dias. Esse tratamento quase sempre gera alguns efeitos colaterais como queda de cabelo, feridas na boca, náusea, dores e vômito. “Eu não sofri muito até agora. Tive queda de cabelo e às vezes me sinto inchada e com dores nas articulações”, comenta Marisa, que não faz o tratamento imunoterápico.

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Marisa, já em tratamento, com seu neto

Os medicamentos imunoterápicos agem diferente da quimioterapia. Enquanto o primeiro educa os mecanismos de defesa do organismo, de modo que estes só atacam o câncer, o segundo “envenena” tanto as células saudáveis quanto as tumorais e acaba fragilizando todo o sistema imunológico e comprometendo estruturas como a medula óssea, a mucosa digestiva e as células que dão origem aos cabelos.

Leia Também: Imunoterapia ainda gera diversas incertezas

O QUE É O CÂNCER

De acordo com o INCA, câncer é um grupo de doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células com o DNA alterado, que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se para outras regiões do corpo. Estas células costumam se multiplicar rapidamente de forma agressiva. Quando há um acúmulo dessas células chamamos esse fenômeno de tumores. Por outro lado, um tumor benigno é uma massa de células que se multiplica lentamente e possui semelhanças ao seu tecido original, o que raramente constitui um risco de morte.

O INCA estima que dos mais de 600 mil casos esperados para este ano, o câncer de próstata, mama, cólon e pulmão, respectivamente, sejam os de maior incidência. Os vários tipos de câncer correspondem a grande variedade de células presentes em nosso corpo. Por exemplo, existem diversos tipos de câncer de pele, isso porque a pele é formada por mais de um tipo de célula. Se o câncer tem início em tecidos epiteliais como pele ou mucosas ele é denominado carcinoma. Se inicia em tecidos conjuntivos, como o osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma. Outro fator utilizado para diferenciar tipos de câncer, é a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos.

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Demostração de um nódulo no organismo

As causas de câncer são variadas, podendo envolver fatores externos ou internos ao organismo. As causas externas relacionam-se ao meio ambiente e a hábitos ou costumes próprios de um ambiente social. As causas internas, na maioria das vezes são geneticamente determinadas e estão ligadas à capacidade do organismo de se defender das agressões externas. Esses fatores podem interagir de várias formas, aumentando a probabilidade de transformações malignas nas células. Alguns desses exemplos são bem conhecidos: o cigarro pode causar câncer de pulmão e a exposição excessiva ao sol pode ocasionar câncer de pele.

Mesmo assim o câncer pode levar décadas para se desenvolver. Por isso que normalmente a maioria das pessoas é diagnosticada com câncer na terceira idade. Embora seja mais comum em adultos mais velhos, o câncer não é uma doença exclusivamente dessa faixa etária. Ele pode ser descoberto em qualquer fase da vida.

AS PESQUISAS

Pesquisa clínica ou estudo clínico são os termos utilizados para denominar um processo de investigação científica envolvendo seres humanos. É por meio deste, que os cientistas encontram novas e melhores maneiras de prevenir, detectar, diagnosticar, controlar e tratar doenças.

Embora a pesquisa clínica no Brasil esteja em expansão, ainda é muito comum que exista preconceito com esta prática. Para o Dr. Giuliano santos, do Centro de Novos Tratamentos, de Itajaí, ainda falta investimento. “O Brasil é um país que infelizmente ainda não da grande valor as pesquisas, e isso vai além da medicina. Por outro lado eu percebo interesse por parte das pessoas em participar desses estudos. E acredito que não vai demorar para termos bons resultados, e consequentemente mudarmos esse cenário”.

 Entenda as leis para pesquisas clínicas

Quando a pesquisa clínica envolve o estudo de um medicamento, vacina ou procedimento diagnóstico, ela deverá estar classificada em uma das quatro fases de investigação existentes. Os medicamentos necessitam passar por todas essas fases para obter aprovação pelo FDA (Federal Drug and Drug Administration, órgão norte-americano, já que a pesquisa iniciou nos EUA), e posterior liberação e disponibilização para uso geral.

Ela começa com a Fase Pré-clínica: é composta por testes em laboratório avaliando se a medicação tem potencial terapêutico, cumpre seu objetivo farmacológico e não é nociva ao organismo. Em seguida vem a Fase I: Nesta fase, a medicação é testada em pequenos grupos de voluntários sadios. O objetivo é avaliar a sua segurança, determinar uma dosagem segura e a melhor forma de ser utilizada, e também identificar os efeitos colaterais. Esses estudos duram aproximadamente um ano.

A Fase II: dessa vez Os estudos são realizados em populações maiores. Tem como objetivo recolher informações mais detalhadas sobre a segurança, e a dose necessária para ter o efeito esperado.

Fase III: O objetivo desta etapa de estudo é comparar ambos os tratamentos e estabelecer a superioridade de um sobre o outro. Duram cerca de três anos.

Para encerrar, na Fase IV: após o medicamento ser aprovado novos estudos são realizados para ver o desempenho do produto, e se ele precisa de alguma determinada alteração.

De acordo com o Dr. Giuliano é necessário seguir alguns critérios para selecionar as pessoas que podem participar de uma pesquisa clínica. Eles são baseados em fatores como idade, sexo, tipo e estágio da doença, histórico de tratamentos anteriores e outras condições do histórico médico. O doutor também ressaltou que é importante saber que os critérios de inclusão e exclusão não são usados com o objetivo de rejeitar pessoas e sim para identificar participantes apropriados e mantê-los seguros.

Em um estudo como esse, a participação do paciente é voluntária e seus dados são confidenciais. Para confirmar sua participação, o mesmo deve assinar um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido após ter sido informado de todos os aspectos do estudo. No decorrer da pesquisa os voluntários recebem total assistência e segurança com relação aos procedimentos. Eles têm direito de desistir a qualquer momento, se acharem que os riscos são maiores que os benefícios.

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