Cidades

Balneário Camboriú registra média de dez casos de agressões infantis por mês

Nem todos os casos registrados pelo Conselho chegam até a Delegacia responsável pelo crime. Principais casos envolvem crianças entre quatro e oito anos, tanto meninos quanto meninas

Nem todos os casos registrados pelo Conselho Tutelar chegam até a Delegacia responsável pelo crime

Texto: Matheus Berkenbrock e Renata Rutes 
Edição: Douglas Schinatto

A cidade de Balneário Camboriú, conhecida por suas belezas naturais e por ser a capital do turismo catarinense, esconde uma triste realidade. Aproximadamente 10 crianças que moram na cidade são violentadas a cada mês, segundo dados do Conselho Tutelar. Porém, nem todos os atendimentos são encaminhados para a Delegacia de Proteção à Criança, Mulher e ao Idoso de Balneário Camboriú (DPCAMI), que registraram somente oito neste ano.

Não é só Balneário que sofre com esse problema, veja no gráfico abaixo o número de crianças que sofrem agressões pelo mundo.

gráfico usar

O conselheiro tutelar de Balneário Camboriú João Peters Júnior explica que uma boa porcentagem dos casos que chega ao conselho é de agressões que deixam marcas. Se for necessário, a criança é encaminhada à delegacia, onde é feito o exame pericial. Se detectado risco de vida, as crianças são tiradas da família e encaminhadas para outros familiares (se estes viverem na cidade ou na região) ou então para o abrigo. “A maior parte das denúncias que recebemos são das escolas, mas há flagrantes também. Nas escolas as crianças muitas vezes contam aos professores, ou então os professores veem as marcas. Um caso que marcou foi um que aconteceu há três meses, ocasião em que um vizinho filmou o padrasto agredindo um menino a chineladas. O vídeo caiu na internet e a comunidade se sensibilizou”, afirma.

Não há um padrão nas ocorrências, mas, segundo Peters, praticamente todos os casos envolvem os responsáveis como agressores, como pais e padrastos. “Eles não sabem lidar com as crianças e não procuram ajuda. Não têm paciência e para corrigir acabam batendo. Sabemos que as crianças são arteiras, mas nem por isso merecem ser espancadas”, comenta. Normalmente os casos mais atendidos são de crianças com idade entre quatro e oito anos. Não há distinção por sexo, há registros tanto de meninos quanto meninas.

O conselheiro afirma ser a favor da Lei da Palmada, principalmente porque quando os pais batem nas crianças não é só uma palmadinha. Peters pede que em qualquer necessidade os pais procurem o Conselho, que não serve somente para fiscalizar e sim para aconselhar e ajudar.

O delegado Eliomar José Beber, da DPCAMI, concorda com o conselheiro e diz que normalmente a violência acontece por outros problemas, principalmente dependência química dos agressores. “Mas também há casos de quem diz que bate para educar. É uma geração antiga que cresceu apanhando dos pais e ainda acredita que educação envolve censura física. Concordo totalmente com a Lei da Palmada. Nem um adulto merece apanhar, muito menos uma criança. Devemos educar os pequenos através de exemplos e orientações”, opina.

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