Comportamento

Para amar nunca é tarde

Adotar é um gesto de carinho e amor que não tem gênero, cor, nem idade. Conheça a história da família Palhano

Adotar é um gesto de carinho e amor que não tem gênero, cor, nem idade. Conheça a história da família Palhano. 

Texto:  Luzara Pinho
Edição: Matheus Berkenbrock
Imagens: Arquivo Pessoal/ Morguefile

A rotina de Marta Brancher Palhano começa às cinco e meia da manhã na cidade de Porto Belo. Ao acordar, já é de costume dar o beijo de bom dia nos pequenos Pedro e Cecília.  De manhã cedo, prepara seus filhos para mais um dia de escola. Dá banho, prepara o café, cuida dos cãezinhos Gaya e Madhu, se apronta para mais um dia de trabalho em Florianópolis e leva os filhos na escola. A rotina intensa em sua vida e de seu marido ganhou mais fôlego há pouco tempo com a chegada das crianças.

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Pedro e uma das “filhas caninas” da família (Foto: Arquivo Pessoal)

Pedro e Cecília chegaram à vida de Marta e Patrick Palhano de um jeito especial. Durante muito tempo, o sonho do casal foi ter seus filhos e completar sua família. E tinham um sonho ainda maior, o da adoção. Foi em 2014 que a vida deles tomou um rumo diferente. Durante um ano e dois meses eles foram preparados para receber seus pequenos e, assim, começar uma nova vida em família.

“Na semana seguinte a que entregamos os documentos iria começar o curso de adoção. Um casal inscrito havia desistido, então conseguimos fazer o curso já no início. Aceitávamos criança até seis anos, ou seja, era considerada adoção tardia, que geralmente é rápida, pois a maioria dos casais preferem os bebês. Aceitávamos duas crianças e não escolhemos sexo, cor, entre outras características. Pensamos da seguinte forma: Se tivéssemos natural, não teríamos como escolher, então por que aqui escolheríamos?” – Marta Brancher Palhano, mãe de Pedro e Cecília.

O dia 27 de outubro de 2014 foi intenso para o casal. A cadelinha Gaya, que estava sendo socializada para ser cão guia, não poderia exercer a atividade por estar com displasia, mas poderiam adotá-la. Em menos de duas horas, mais uma ligação importante, dessa vez, do Fórum. “Ao ligarem pedindo que fossemos até lá, achamos que era falta de algum documento, mas quando chegamos, a surpresa: nossos filhos haviam chegado!”, conta Marta.

‘Quando chegamos no abrigo foi lindo! Dois anjos nos esperando. Foi um mês de adaptação até eles irem em definitivo lá pra casa com guarda provisória. Um ano depois – em 2015- saiu a guarda definitiva. Temos cada dia mais certeza que eles sempre foram nossos, só estavam perdidos.” – Marta Brancher Palhano, mãe de Pedro e Cecília.

No começo do processo de adoção, Cecília e Pedro tinham, respectivamente, cinco e um ano e dez meses de idade. As crianças estavam há um ano em um abrigo de Itajaí e aguardavam  uma família.

A adoção tardia ainda encontra resistência, pois é comum os candidatos optarem por bebês e recém-nascidos Dados recentes do Cadastro Nacional de Adoção apontam que apenas 4,77 % dos candidatos à adoção aceitam crianças com seis anos ou mais e menos de 1% aceita acolher um adolescente. “É preciso ter vontade de adotar e estar preparado. Nos disseram que a adoção tardia tem períodos de teste, mas não tivemos nada disso. Foi tudo muito natural. Porém é importante sempre falar a verdade e deixa-los falar sobre a outra família, sobre a ‘mãe de barriga’ quando sintam vontade”.

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(Foto: Arquivo Pessoal)

Hoje, a família vive em plena sintonia. Marta, Patrick, Pedro, Cecília e as filhas caninas – como Marta gosta de chamar – Gaya e Madhu vivem uma história feliz, com muitas páginas para serem escritas. “Somos uma família como qualquer outra. Colocamos muitos limites e damos todo amor do mundo. Somos uma família muito feliz.  Como o Pedro diz na hora de dormir: ‘Obrigada papai do céu pela nossa família. Pelo papai, pela mamãe, pela Céci, pela Gaya e pela Madhu!’”

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A pequena Cecília em momento de lazer (Foto: Arquivo Pessoal)

Dia da Adoção

Dia 25 de maio é comemorado o Dia Nacional da Adoção. A data, que faz parte do calendário brasileiro desde 1996, faz refletir sobre a importância de acolher e dar amor a crianças e jovens que estão em abrigos em todo o país.

O  portal da Adoção Brasil possui um passo a passo orientando pessoas que pretendem adotar e acolher uma criança ou adolescente. O link pode ser acessado aqui.

um comentário

  1. Excelente matéria, e linda história!
    Também sou mãe por adoção e concordo que filhos não se escolhe. Aqui também, muito limite e amor! Temos três filhos a Natalia que foi adotada, o Guilherme filho biológico e a Mia, nossa gatinha que foi adotada recentemente.
    Parabéns Luzara e Mateus.

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