Opinião

Confiar: a realidade por trás da tela do bate-papo adolescente

A entrada cada vez mais precoce das crianças na rede mundial de computadores é um comportamento virtual que preocupa os pais, principalmente em relação aos crescentes casos de pedofilia. No longa americano "Confiar", Annie tem 14 anos e após conhecer um amigo pela internet vai ao seu encontro sem que seus pais saibam. O que acontecerá em apenas 24 horas irá mudar a família para sempre.

Texto: Alan Willian 

Na era da internet ilimitada, o Brasil desponta como um dos países mais conectados à rede mundial de computadores. Uma pesquisa feita em 2015 pela Fundação Getúlio Vargas revela que o país conta com 306 milhões de dispositivos conectados a internet, a maioria (154 milhões) são smartphones. Talvez o dado que mais impressione é que 14% desse número corresponde a crianças entre 6 e 14 anos que, em sua maioria, utilizam sites de relacionamento como salas de bate-papo, Tinder, Snapchat ou até mesmo o Facebook. Esse é um comportamento virtual que preocupa os pais, principalmente em relação aos crescentes casos de pedofilia.

E como uma forma de alerta, o longa americano “Confiar” – Trust, título original – mostra a história de Annie (Liana Liberato), uma garota que acaba de completar 14 anos e ganha um MacBook de presente dos seus pais. A adolescente entra em uma sala de bate-papo e passa a conversar com Charlie, um amigo virtual que diz ter 16 anos. As conversas passam a acontecer através de longas ligações pelo telefone e o rapaz ganha a confiança de Annie, que expõe a ele pensamentos que jamais compartilhou com seus pais.

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Annie tem 14 anos e se apaixona através do chat. Foto: Reprodução

Percebendo que conquistou a garota, ele decide contar que não tem 16 anos, mas sim 20. Apesar de assustada, ela decide relevar estar apaixonada, porém mais uma vez os dias passam e ele revela ter 25 anos. A jovem novamente aceita calada. Charlie decide marcar o primeiro encontro pessoalmente em um shopping. Ao chegar lá, Annie se depara com um homem de 35 anos. Sua primeira reação é chorar, mas outra vez ela parece ficar encantada com os gestos de Charlie, que não é mais um garoto e sim um homem vinte anos mais velho. Não demora muito e ele consegue levá-la para um motel, onde ela tem a sua primeira vez, que foi assustadora, mas no pensamento da menina eles estão apaixonados, e isso é o que importa.

Na volta à escola, Annie conta o fato apenas para sua melhor amiga, Brittany, que a viu andando no shopping com o sujeito. A amiga então resolve contar para a diretora do colégio que, imediatamente, aciona a polícia e os pais de Annie. Sem dúvidas, estão diante de um caso de pedofilia e estupro. No entanto, a vítima não concorda e insiste em se preocupar com Charlie, que há dias não manda mensagens. A tradicional família americana fica desestabilizada e a filha se volta contra os pais. A partir daí, é desencadeada a investigação e o processo de aceitação por parte de Annie.

Mais que um tema de difícil execução, a pedofilia tende – no cinema – a ser retratada com uma certa tendência ao sentimentalismo forçado. A dificuldade é abordar esse tema com sobriedade para que, apesar do drama, o recado seja passado para os adolescentes e também para os pais. O roteirista Robert Festinger e o diretor David Schwimmer (Friends) parecem ter acertado no quesito dramático.

Confira o trailer abaixo!

Ficha Técnica

Título Original: Trust
Duração: 1h44min
Ano de Produção: 2010
Distribuição: Millennium Films e Imagem Filmes
Orçamento: US$ 9.5 milhões
Direção: David Schwimmer
Roteiro: Robert Festinger
Elenco: Liana Liberato, Clive Owen, Catherine Keener, Jason Clarke, Viola Davis, Chris Henry Coffey, Spencer Curnutt, Aislinn DeButch, Noah Emmerich, Olivia Wickline, Zoe Levin, Zanny Laird, Yolanda Mendoza, Shenell Randall, Ruth Crawford, Marty Bufalini e Tristan Peach

 

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