Cidades

Camboriú: uma cidade de todas as fés

FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO MOVIMENTA CAMBORIÚ APÓS ENCERRAMENTO DO GIDEÕES.
Texto: Schaline Rudnitzki e Bruna Bertoletti
Fotografias: Schaline Rudnitzki
Edição: Thiago Julio

Quando as tochas dos Gideões começam a ser retiradas dos postes de iluminação pública em Camboriú, outro adorno vai sendo estendido: as bandeiras do Divino. Os festejos acontecem anualmente no período de Pentecostes – quarenta dias após o Carnaval. Começam com o envio da bandeira do Divino, as procissões e missas pelas comunidades, a novena do Divino Espírito Santo e culminam com os festejos populares de três dias – sábado, domingo e segunda-feira (16), neste ano.

O dia 16 de maio é feriado municipal na cidade onde o Divino é o padroeiro e a igreja matriz leva seu nome. A tradição de origem açoriana chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi popularizada em Portugal pela rainha Isabel. A festa tem como marca a presença do Imperador e Imperatriz que são coroados na missa de domingo. Em Camboriú, o costume é a escolha de um casal com até 17 anos.

Já em meados de abril as casas começam a ser enfeitadas, bandeiras, fitas, tnts vermelhos tomam as sacadas e embelezam os jardins. O pátio do salão paroquial recebe uma estrutura especial para abrigar os festejos e o ginásio de esportes Irineu Bornhausen ganha decoração especial com direito a tapete vermelho e flores.

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Em 2016 o cortejo imperial reuniu 36 crianças, dessas, 10 são coroinhas e outras 10 foram apadrinhadas para poderem participar da celebração. Cabe aos pais arcar com o valor das roupas, e o apadrinhamento é uma forma de oportunizar que crianças da comunidade participem da celebração.

O cortejo acompanhou as missas nas capelas das comunidades e participou de toda novena. Segundo os pais, a principal preocupação era formar o cortejo com pessoas mais humildes e que participassem efetivamente da igreja. “Cada família paga a roupa das crianças, cabeleireiro, maquiagem. A gente faz a festa para a igreja, então arcamos ainda com a decoração do ginásio, salão. E a prefeitura também tem um fundo para ajudar custear”, explica Gerusa Gervasi, mãe da Imperatriz deste ano.

As roupas usadas durante a festa pelas crianças foram alugadas em Santo Amaro da Imperatriz. Ao todo são duas trocas, uma para o sábado e outra para o domingo. Já na segunda-feira, o traje de sábado é repetido.

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Programação

No sábado, a saída do cortejo imperial aconteceu na casa do avô do imperador na rua Curitiba (Centro) às 19h e foi seguido pela missa às 19h30 no Ginásio. Já no domingo (15) o cortejo saiu às 9h da casa dos avós da imperatriz à rua Pedro Saut Júnior (Centro), em direção ao ginásio para celebração da missa de Pentecostes às 10h. Durante o domingo, ainda os fieis participaram do almoço às 12h no Salão Paroquial e da Adoração ao Santíssimo na Igreja Matriz a partir das 19h30. A festa encerrou na segunda-feira (16), feriado municipal, com queima de fogos e toque dos sinos às 7h e saída do cortejo imperial às 9h30 da Igreja Matriz para celebração da missa de Ação de Graças no Ginásio. Além das missas e momentos de oração, a programação contou com serviço de bar e cozinha, bingo, rifa e almoço para os três dias de festa.

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Imperadores: sonho e fé

Em 2015, três casais foram inscritos para o sorteio de Imperatriz e Imperador da Festa do Divino. Deles, o casal sorteado foram os adolescentes Amabile Vitória Gervasi (12) e José Henrique do Carmo (12). Ela coroinha e moradora do bairro Cedro, ele morador do bairro Santa Regina. As famílias se combinam antes de inscrever os filhos e a inscrição é feita assim: por casal.

Para a Amabile, ser imperatriz era um sonho de família: sua mãe e o avô paterno, que faleceu uma semana antes dos festejos no ano passado, também desejavam vê-la vivenciar esse momento. “Quando ganhei eu chorei, foi uma alegria!”, lembra a jovem.

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Para José Henrique, foi uma surpresa ter sido sorteado e tinha como propósito participar da celebração para que o irmão mais novo, Pedro, de apenas cinco anos, se reabilitasse e pudesse agradecer por tudo que já foi alcançado. Pedro teve uma paralisia cerebral com apenas um mês de vida, após nascer prematuro e sofrer três paradas respiratórias. “A parte intelectual dele é perfeita e ele sonha em ser jogador de futebol”, conta a mãe dos meninos, Edna Mara da Silva.

Ambos realizaram o sonho neste ano e não escondiam o largo sorriso a cada flash disparado. À frente do cortejo, o pequeno Pedro abria a procissão empurrando seu andador com muita vontade e um sorriso no rosto.

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