Comportamento

Adultos na ponta dos pés: balé como opção de exercício para todas as idades

Além da atividade ativar o corpo e a mente, é um oportunidade das mães se aproximarem das filhas bailarinas

Além da atividade ativar o corpo e a mente, é um oportunidade das mães se aproximarem das filhas bailarinas

Alunas: Bruna Bertoletti e Schaline
Editor: Thiago Julio

De um lado para outro, os bailarinos movimentam-se nas salas espelhadas. Gente de todas as idades com sapatilhas nos pés ou nas mãos, prontas para serem calçadas. Durante a noite, o estúdio de dança fica ainda mais agitado. Nos corredores, o som é de uma mistura de ritmos, mas é no segundo andar que o barulho do piano indica que a aula de dança clássica começou.

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As três bailarinas, posicionadas em frente a barra, dão início as combinações ditadas pela professora. Tudo ainda é novidade para elas. Os movimentos descoordenados tentam acompanhar o compasso quaternário da música. As saias, delicadamente posicionadas em volta das cinturas, não escondem a inexperiência das bailarinas. A aula exige mais firmeza e concentração do que elas tinham imaginado. Entre uma sequência e outra, o corpo dá sinas das dificuldades de se manter firme na posição.

Os pés ainda não se sustentam nas pontas. Os movimentos também não seguem o padrão da professora. Até mesmo a memória das alunas é desafiada com as combinações de passos, antes do início da música. Em meio a pliés, tendus, adágio, o som de risos disciplinados ecoam pela sala, denunciando o nervosismo das aspirantes a bailarinas.

Nessa turma, não tem tutus rosa e coques altos. Nem mochilas e lancheiras de quem acabou de sair da escola. Aqui, as alunas chegam com a bolsa que trouxeram do trabalho. As sapatilhas dividem espaço com as contas, chave do carro e os afazeres do dia a dia. Algumas delas também trazem os filhos, o motivo perfeito para terem entrado no mundo da dança.

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Daniele da Luz é artesã, esposa, dona de casa e mãe de dois filhos. Há um ano, nas horas vagas, também é aluna de balé. Rotina intensa que ela encara com prazer. A ideia de iniciar as aulas de dança partiu da filha de 9 anos. A pequena Ana Luiza queria uma companhia nos intervalos da aula e convenceu Daniele a encarar o desafio. “Ela disse que é muito lindo mãe e filha fazerem balé”.

Mas aos 35 anos, o aprendizado já não é mais tão fácil. O corpo, cansado das tarefas diárias, esforça-se ao máximo para acompanhar os movimentos. Dedicação que é reconhecida por sua maior admiradora. “Ela estava meio ruim, aí comecei a ensinar os passos em casa e ela melhorou bastante desde que começou. É esforçada, uma boa bailarina”, explica Ana Luiza, sentada no chão do estúdio de olho nos passos da mãe.

Mas a menina não é a única expectadora da sala. Ao lado dela, Carolina se diverte acompanhando a aula das adultas iniciantes. As duas são colegas de classe, assim como as mães. Cláudia, mãe de Carol, também resolveu conhecer um pouco mais sobre a dança clássica. Foi acompanhando a filha, que dança desde os três anos de idade, que ela redescobriu a vontade de praticar o balé. “Eu sempre gostei de dança. Quando era mais nova fazia jazz, mas acabei meio reprimida pelos meus pais na época. Hoje tenho uma nova oportunidade”, destaca a bailarina.

Na aula, vê-se de longe que a empresária de comércio exterior tem mesmo aptidão. Os olhos fixos no espelho mostram a vontade de melhorar a cada movimento. As mãos delicadas desenham no ar os traços ensinados pela professora. Já coordenando pés, braços e cabeça, Cláudia mostra o quanto evoluiu com muita persistência e força de vontade.

A filha, de apenas nove anos, fala com orgulho sobre o talento da mãe: “Ela dança muito bem”. Carolina garante que o balé fez muito bem para mãe, deixando-a mais calma. “Depois das aulas, ela chega em casa mais tranquila e feliz”, afirma a pequena.

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A terceira aluna, na ponta da barra, tem um motivo diferente para ter entrado no mundo da dança. Ela viu na aula de balé para adultos a chance de reviver um sonho deixado no passado. Com 24 anos, Daiane de Souza finalmente encontrou uma atividade que equilibrasse corpo e mente. Há cerca de um ano, uma lesão no joelho exigiu que a jovem fizesse algum tipo de exercício, foi quando descobriu o estúdio. “Quando vi que tinha essa turma para adultos foi um sonho. A escola, a sala de espelho, a barra. É tudo incrível!”.

Quando pequena, Daiane se aventurou em outras modalidades como jazz, dança de rua e sapateado, mas hoje acredita que sua paixão está na delicadeza dos movimentos do balé. “Atualmente, é mais uma questão de exercício mesmo, mas se tivesse começado o clássico na infância, seria uma profissão”.

A aula de iniciação no balé para adultos ainda é uma novidade em Itajaí tanto para as alunas quanto para a professora. Coordenar mulheres de idades semelhantes a dela acaba sendo um desafio, facilmente superada pela gratificação. A cada evolução da turma, Naiana Cé se sente orgulhosa do trabalho. “Ensinar a adultos os primeiros passos na dança é uma experiência completamente diferente. É muito gostoso perceber o esforço delas. Fica claro que aula após aula há mudanças nelas tecnicamente, fisicamente e também emocionalmente”.

Mesmo com o cansaço e as limitações ao fim do dia, a turma se une para fazer com que as aulas sejam mais prazerosas. Fora do estúdio, a amizade das alunas e da professora continua. “Formamos uma família, saímos para comer, conversar. Nos divertimos muito juntas”, afirma a professora. Muito além de exercitar o corpo, o balé é capaz de movimentar a alma. A dança trouxe diversos benefícios para essas mulheres, que ajustaram na sua rotina uma nova paixão.

Por que escolher o balé?

Quem pensa que balé é só delicadeza está muito enganado. Por trás da sutileza dos movimentos, está muita força e precisão, fatos estes que aumentam o tônus muscular. Por esta definição do corpo, muitas mulheres procuram a atividade física, e “ganham de brinde” mais flexibilidade, alongamento e claro! Emagrecimento.

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foto: Grazi Massafera e Ingrid Guimarães durante aulão de balé

Grazi Massafera, Flávia Alessandra e Ingrid Guimarães são algumas das famosas que já confessaram ter a atividade como segredo para manter a boa forma. De acordo com o educador físico Bruno Rivelino, o trabalho combinado entre corpo e mente acabam trazendo resultados mais satisfatórios. “A identificação com a atividade é um dos elementos mais importantes na hora de escolher o tipo de exercício físico. O balé é uma atividade bem complexa corporalmente, mas que costuma ser prazerosa para o praticante”.

O professor também relembra que qualquer atividade física, mesmo que por orientação de um médico, deve ser acompanhada por profissionais capacitados.

Veja alguns dos benefícios da prática do balé: 

 

Serviço:

Em Itajaí, as aulas de balé para adultos acontecem Studio de Dança Mery Rosa.
Endereço: Rua José Eugênio Müller, 1299 – Vila Operaria, Itajaí – SC, 88303-171
Telefone: 3344-3968
Horários: 2ª e 4ª feira das 20:00 às 21:00

 

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