Opinião

Cartório eleitoral de Barra Velha encerra prazo para regularização de eleitores com tumulto

Eleitores deixaram para última hora e no último dia do prazo, 246 pessoas foram atendidas, o que causou tumulto. Pré candidatos foram flagrados fazendo aquilo que, em época eleitoral, seria cooptação de eleitores e passível de punição.
Texto e Fotos: Alan Willian

Encerrou na quarta-feira, dia 4 de maio, o prazo para cadastro, alistamento, transferência ou atualização de informações dos eleitores. O brasileiro fez jus à fama e deixou para comparecer ao cartório na última hora, formando longas filas. Em Barra Velha, Litoral Norte de Santa Catarina, não foi diferente. Segundo o chefe do cartório eleitoral, Rodrigo Sabadin Hexsel, são atendidas 15 pessoas em média fora do período eleitoral. A partir de março, esse número passou para 35 e, no último dia, registrou-se um aumento extraordinário, atingindo 246 atendimentos.

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Em outubro, 21.428 eleitores devem ir às urnas em Barra Velha. Foto: Alan Willian

Com o término do prazo para atualização do cadastro, o número de eleitores em Barra Velha passou de 17.027 (eleições municipais de 2012) para 21.428, um aumento de 25,84%. O fator que mais cooperou para alavancar esse número foram as transferências e, em segundo, o alistamento, ou seja, as pessoas que tiraram o título de eleitor pela primeira vez. Rodrigo revela que o eleitorado feminino leva uma pequena vantagem na cidade, representando 50,92% do total de eleitores.

Para organizar o aglomero de pessoas, os funcionários distribuíram senhas. No entanto, não foi suficiente e alguns princípios de tumulto precisaram ser contidos. “Fizemos plantões para evitar esse desconforto, mas não adianta, a população deixa mesmo para última hora e no fim acabam reclamando. Tive que chamar a polícia, mas conseguimos conter sem ter que tomar decisões mais drásticas com as pessoas que tumultuaram”, disse Rodrigo.

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Eleitores deixaram para última hora e houve tumulto. Foto: Alan Willian

Em meio a conversas paralelas e sob o forte sol do período vespertino, rostos conhecidos da política municipal apareciam com frequência no cartório. Retirar senha antecipada para distribuir, agilizar a documentação pendente ou até mesmo aquela carona coletiva foram algumas das atitudes flagradas. Como ainda não há candidatos oficiais, essa atitude não pode ser considerada cooptação de eleitores, o que em época eleitoral seria ilegal. Mas fica como uma prévia do que podemos esperar para as eleições municipais de outubro.

Barra Velha é conhecida por ter passado períodos conturbados na política local. Diversas cassações, abertura de CPI’s e até mesmo operações envolvendo a Polícia Federal já foram assistidas pela população. O mandado do atual prefeito, Claudemir Matias (PSB), pode ser considerado o mais calmo das últimas décadas. Apenas uma CPI foi instaurada, sendo que a denúncia partiu do próprio prefeito, e nenhum outro escândalo de corrupção foi registrado.

Como pôde ser visto no dia 4, o clima para as eleições de outubro promete esquentar e o voto deverá ser conquistado no laço. A corrida para o Executivo conta atualmente com mais de seis pré-candidatos. O atual prefeito diz que irá concorrer à reeleição. A oposição afirma ter documentos que inviabilizam sua candidatura. Esse jogo para confundir o eleitor já é conhecido e realmente só saberemos no dia das convenções municipais qual será o desfecho. Para o Legislativo, a disputa deve ser ainda mais acirrada. Novos nomes vêm surgindo e velhos conhecidos chegam desgastados nessa eleição. Com a popularização das redes sociais, o eleitorado tem cobrado mais e aqueles que não têm apresentado um bom trabalho sofrerão até outubro.

A esperança é que a tão sonhada reforma política inicie em outubro, nas urnas. Na escolha consciente dos nossos representantes. Na escolha daqueles que não servem apenas para pagar a sua conta de luz, colocar cargas de barro ou fazer projetos de lei nomeando ruas. É tempo de inovar e não permitir que façam do cargo público um emprego, como alguns políticos barravelhenses vem fazendo desde a década de 90.

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A esperança é de reforma política nas urnas. Foto: Alan Willian

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