Entrevista

Entrevista: Adriana Barnes, a terapeuta canina do Encantador de Cães

Quem conhece hoje a terapeuta canina Adriana Barnes, que é mexicana e vive anos em Los Angeles (EUA), não consegue acreditar que no passado ela tinha pânico por cães. Quando pequena, ela foi mordida por um e teve de ser ‘reabilitada’ por seu amigo, “O Encantador de Cães” César Millan. Trabalhou com ele por sete anos, foi diretora e co-fundadora de seu centro de cães. Adriana participou junto de César do reality show transmitido mundialmente pelo canal Animal Planet. Hoje tem seu próprio centro canino, em LA, onde atende diversos tipos de clientes, inclusive famosos como Tom Brady, Gisele Bündchen e Eva Mendez. Ela esteve de passagem pelo Brasil recentemente, junto do amigo e também terapeuta canino Roberto Mayer, do Rio Grande do Sul, e visitou Balneário Camboriú. Adriana conheceu a shitzu Luna, que é da acadêmica responsável por essa entrevista e foi usada de exemplo nesta matéria.

Como você ‘entrou’ para o mundo dos cães?

Eu era vizinha de César, nós éramos muito amigos, mas eu não sabia que ele era famoso e nem que ele trabalhava com cães. Até que um dia meu marido descobriu e me contou. Eu tinha verdadeiro pânico. Até hoje não entendo como, mas o César sentiu que de certa forma poderia ajudá-lo. Eu trabalhava com finanças, não tinha nada a ver com cachorros. Fui mordida por um quando era pequena e não queria chegar perto deles. Um dia o César encheu a minha garagem de cachorros, acredito que foi aí que começou tudo.

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Adriana com o “Encantador de Cães” César Millan, ele a reabilitou e os dois trabalharam juntos por sete anos. (Foto: Divulgação)

Logo após isso ele te convidou para trabalhar com ele?

Sim, pouco tempo depois. Ele e a esposa me chamaram. Quando aceitei, todos me chamaram de louca já que sempre tive muito medo de cachorros. Mas só aceitei porque inicialmente iria trabalhar com a parte de finanças do centro e repassando trabalhos para os outros empregados, mas não foi nada disso (risos).

Como foi o processo de sua aproximação com os cães?

O César começou a viajar, em 2005, fazendo espécies de turnês de divulgação e entrevistas para o que viria a ser o show e pediu que eu ficasse tomando conta de tudo. No primeiro mês, eu trabalhei de casa, mas então ele começou a pedir que visitasse o centro, sempre com o telefone no viva voz (falando com ele), para que ele ouvisse os cães latindo. Foi aí que começou a minha reabilitação. Fui indo aos poucos, até que um dia ele me pediu para entrar e dar comida para os cães. Lembro até hoje dos latidos, que mais pareciam rugidos. Eu achava que ele estava louco, mas ele estava me reabilitando.

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Adriana tinha medo de cães desde que era criança, mas ela afirma que hoje eles são a motivação de sua vida. (Foto: Divulgação)

Como você vê os cães hoje?

Hoje eles significam tudo para mim. São a minha missão e paixão. Simplesmente não consigo entender quem não gosta de cachorros. Sonho em um dia conseguir fazer essas pessoas ‘acordarem’ e agirem como eu, porque para mim os cães estão aqui para nos ensinarem a sermos pessoas melhores.

Como foi a sua experiência com o César?

Foi muito especial. Aprendi muito com ele, ele é minha família, o considero como um irmão. Saí da companhia dele porque viajávamos muito e queria passar mais tempo em minha casa, com meus familiares. Ele aceitou, e até hoje vou a eventos que ele organiza, como madrinha da causa. Acredito que algum dia nossos caminhos voltarão a se cruzar.

Você participou do programa O Encantador de Cães?

Sim, fui assistente do César no programa. Foram momentos muito marcantes em minha carreira, e de grande aprendizado. Posso dizer que solucionamos todos os casos, e inclusive os cães que os diretores selecionavam eram aqueles que eram considerados como os ‘sem solução’. Os que não terminaram como 100% foram por culpa dos donos, pois quando os cães voltavam da reabilitação nem sempre as famílias seguiam com o tratamento.

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Adriana defende que todos os cães podem ser reabilitados, mas junto deles as famílias também precisam mudar. (Foto: Divulgação)

Então você acredita que é preciso reabilitar os donos também?

Sim, é essencial, pois o problema muitas vezes está no dono. O cão nasce perfeito, e então o levamos para a nossa casa, onde ele aprende como nós vivemos e passa a viver dessa forma também. Por exemplo, carinho humano demais pode deixar um cão agressivo. Atendi um caso de um cachorro, junto do Roberto, que não gostava de homens. Descobrimos ao longo do atendimento que a dona passava insegurança para ele, que achava que ela era sua propriedade. Após reabilitarmos a dona, sua reabilitação foi quase que instantânea.

Há a raça Pinscher, que muitos dizem ser agressiva. Então isso não é verdade?

Não. Os Pinschers são pequenos, e assim como a cachorra Luna (que estava junto da repórter especialmente para ser analisada por Adriana) ganham muito afeto, então quando saem de perto dos donos se sentem inseguros e atacam estranhos que se aproximam. Eles são cães de guarda, mas essa agressividade não é normal. Assim como não é normal um cão ser muito apegado e inseguro. O normal é o cão querer conhecer outros cães e pessoas diferentes que se aproximam, se ele busca o dono e quer ficar o tempo todo no colo demonstra instabilidade. O principal problema é que muitas pessoas tratam seus cachorros como humanos, e não como animais, e isso está muito errado.

Um problema grave é a comida. Muitos cães comem alimentos de humanos. Há solução para isso?

Sim, e é muito fácil. Se o cão pede pela comida é porque alguém alguma vez ofereceu tal alimento para ele. Independente da idade, todo cão pode ser reabilitado. Claro que quando ele é filhote é mais fácil, pois ele está chegando na casa e está se adaptando a nova vida, mas quando ele é adulto – com mais manias – também é possível, apesar de ser mais difícil. As pessoas acham que é mágica, mas não é. Porém, não basta apenas o terapeuta reabilitar o cão, o dono precisa seguir o aprendizado e se reabilitar junto.

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Adriana junto do amigo e também terapeuta canino Roberto Mayer em passagem por Balneário Camboriú. Com eles, a shitzu Luna. (Foto: Renata Rutes)

Você possui clientes famosos, como Tom Brady e Gisele Bündchen, como foi essa experiência?

Sim, o senhor Tom e a senhora Gisele são incríveis. Os atendi antes de eles terem seus filhos. Eles tinham a cachorra Lua, que quando alguém se aproximava de sua comida ficava brava, rosnava. Eles queriam combater isso, já pensando nas futuras crianças. Eu costumo tratar todos os meus clientes de forma igual, seja ele famoso ou não. Abraço-os e me aproximo, querendo ser amiga, pois meu foco é querer melhorar a vida de todos, seja dos humanos como também dos cães. Não quero deixar ninguém bravo, aponto as correções que são necessárias, mostrando que erros são comuns. A maioria das pessoas humanizam seus animais.

Você já havia vindo para o Brasil?

Sim, essa foi a segunda vez. A primeira vez vim em 2014. Eu gosto muito desse país, e adoro o chimarrão (risos). Inclusive tirei uma foto enquanto eu tomava e marquei o presidente Obama no Twitter. Comentei que eu e ele decidimos que os Estados Unidos precisam do chimarrão para unir as famílias (risos). Lá não acontece como aqui, onde vocês sentam em roda, perguntam como todos estão. Parece que lá somos robotizados.

E você planeja atuar de alguma forma no Brasil?

Sim, eu e o Roberto temos o plano de fazer um reality show no Brasil, reabilitando cães de rua e de ONGs considerados impossíveis e que ninguém quer adotar por conta disso. Sabemos que há muitos abrigos com cães nessa situação no Brasil. Nosso foco é reabilitar e ao final do programa entregar para famílias que queiram adotá-los e que seguirão com o tratamento. Estamos à procura de emissoras que se interessem por essa ideia.

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