Esportes

Contagem regressiva para o início das paralimpíadas

Brasil espera ficar entre os cinco primeiros colocados na classificação geral

Brasil espera ficar entre os cinco primeiros colocados na classificação geral 

Texto: Bárbara Porto e Lucas Rosa
Edição: Marcelo Martim
Foto: Reprodução

Em dois de outubro de 2009 os jornais noticiavam a nova sede dos Jogos Olímpicos de 2016, que também é onde acontecem os Jogos Paralímpicos. O Brasil foi o escolhido entre Madri, Tóquio e Chicago. Na época, para receber os jogos, o Rio defendeu a tese de que deveria ser escolhido pelo ineditismo do local e pelo positivo momento econômico do país.

Além de instalações construídas para a competição, como o Estádio Engenhão, outros projetos foram orçados e, naquele ano, os gastos estimados ficariam em cerca de R$ 25 bilhões. Entretanto, em 2014, o valor inicial já havia subido para 37,6 bilhões. No início desse ano a Autoridade Pública Olímpica (APO) divulgou uma revisão de custos dos Jogos Olímpicos, onde o valor do investimento ultrapassava R$ 39 bilhões.

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Logo oficial da competição

O pesquisador de esporte adaptado, Vitor Ciampolini, diz que o país tem crescido e investido na prática esportiva de pessoas com deficiência, mas acredita que ter uma olimpíada na atual condição do Brasil não é a melhor escolha. “O nosso país não está preparado para muitas coisas. Não está preparado nem pra receber os próprios brasileiros, em questão de transporte público, estradas e acessibilidade nas cidades. O momento econômico e político é complicado. Na questão dos atletas, eles sabem que a pessoa com deficiência exige diversas atenções. Nessa parte acredito que a organização dos Jogos Paralímpicos tenha melhorado”, esclarece.

A secretária da Pessoa com Deficiência do Rio, Georgette Vidor, que é paraplégica, declarou que a questão de acessibilidade na cidade está perto do ideal para as Paralimpíadas. Entre as principais mudanças estão melhorias no transporte, instalações de elevadores em estações de metrô e no entorno dos locais de disputa houve uma ampliação das calçadas, com equipamentos para melhorar o deslocamento das pessoas com deficiência.

Sobre o paradesporto

Os fundadores do movimento paralímpico foram Ludwig Guttmann e Antonia Maglio, que se dedicavam a problemas na medula espinhal. Em 1948, em Roma, decidiram criar um evento esportivo exclusivo para pessoas com deficiência. A data de início foi proposital, Guttmann organizou a primeira competição em cadeiras de rodas, à qual chamou de Jogos de Stoke Mandeville, no dia da cerimônia de abertura da XVII Olimpíada, em Londres. O evento ganhou destaque e o apoio do Comitê Olímpico Italiano e do Instituto Italiano para Trabalhadores com Deficiências.

O Brasil participa desde o primeiro Jogo Paralímpico, de 1972, mas conquistou sua primeira medalha apenas em 1976, nas paraolimpíadas de Toronto, Canadá.  A dupla formada por Robson Almeida e Luiz Carlos Costa ficou com a prata no Lawn Bowls, um esporte semelhante à bocha. Os jogos do Rio serão os primeiros realizados na América do Sul. Iremos receber mais de 4 mil atletas, vindos de 170 países. As disputas pelas vagas começaram em 2014, e irão continuar até pouco antes do início das competições, que acontecem de 7 a 18 de setembro.

Confira o calendário dos jogos aqui

Este ano competidores se dividirão em 23 modalidades, algumas adaptadas e outras que foram criadas apenas para atletas com deficiência. Vitor explica que a diferença entre as duas está nas regras. “O esporte para pessoas com deficiência compreende modalidades adaptadas e modalidades criadas. Por exemplo, existe o basquetebol em cadeira de rodas. É uma modalidade adaptada, porque ela existe como esporte convencional e foi ajustada para pessoas com deficiência. E existem outras modalidades, como o goalball, que é uma modalidade para cegos e que não existe para quem não tem deficiência. Esse esporte é uma mistura de boliche com handebol”, exemplifica Vitor. Mas o pesquisador deixa claro que ambos são esportes profissionais. “A exigência é a mesma, a vontade de ganhar é a mesma, os treinamentos são tão fortes quanto. Ambos jogam esporte profissional e de rendimento”, enfatiza.

Assista uma partida de goalball no vídeo abaixo

Previsões para o Brasil

Desde de 2012 o país possui o Plano Brasil Medalhas, que procura preparar atletas olímpicos e paralímpicos para os Jogos Rio 2016. O investimento foi de R$ 1 bilhão e a meta é o Brasil esteja entre os 10 melhores da competição. Já nos Jogos Paralímpicos o planejado é que o país encerre a participação entre os cinco primeiros.

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Plano de metas das Paralimpíadas 2016

Os recursos foram empregados em programas de apoio ao atleta e à construção, reforma e equipagem de centros de treinamento. Um dos novos benefícios foi o Programa Pódio, que contribui com valores que variam entre R$ 5 mil e R$ 15 mil. O governo também realiza as Paralimpíadas Escolares, um evento único no mundo, no qual são revelados atletas que possam ajudar futuramente o Brasil nos Jogos Paralímpicos.

Entre nomes importantes descobertos pelo o evento estão: Alan Fonteles, campeão paralímpico nos Jogos de Londres 2012 e medalhista nos mundiais de Lyon 2013 e Doha 2015; Lorena Spoladore, campeã mundial em Lyon e medalhista de prata em Doha no salto em distância; Leomon Moreno, medalhista de prata em Londres e campeão Mundial em Espoo (Finlândia), em 2014; e a nadadora Esthefanny Rodrigues, medalhista no Mundial de Glasgow 2015 e nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto 2015.

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Vitor comenta que o Comitê Paralímpico tem feito parcerias com os meios de comunicação, que veiculam mais jogos, e investido em propagandas para ganhar mais espaço e visibilidade. “A gente faz o possível para chamar atenção e aumentar o público. Falta conscientização do próprio brasileiro em perceber a importância do esporte para as pessoas com deficiência”, reflete Vitor.

 

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