Opinião

Bela, recatada, do lar e da política

Segundo uma pesquisa internacional, o Brasil fica atrás de países do Oriente Médio quando o assunto é a representatividade das mulheres na política

Segundo uma pesquisa internacional, o Brasil fica atrás de países do Oriente Médio quando o assunto é a representatividade das mulheres na política

Texto: Talissa Peixer
Foto de capa: Gustavo Lima (Câmara dos Deputados)

É no mínimo contraditório viver em um país onde a presidente é uma mulher e a parcela feminina na política (como um todo) é praticamente insignificante, comparando com o total de habitantes do Estado/Nação. A história do voto feminino é recente no Brasil. Foi em 1932 que o então presidente Getúlio Vargas reformou o Código Eleitoral e assinou o decreto de lei número 21.076, de 24 de fevereiro. A partir de então, as mulheres brasileiras tinham direito ao voto. Mas, nem todas elas (maiores de idade), poderiam votar já de imediato: o decreto estipulou que somente as mulheres casadas, viúvas e solteiras que tivessem renda própria poderiam votar.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2012, 133.868 mulheres se candidataram a ser vereadoras no Brasil, totalizando 31,9%. Mas, dessas 133 mil, somente 7.646 foram eleitas. Uma representatividade de 13,1% nas casas legislativas brasileiras. Em Santa Catarina a porcentagem é ainda menor: dos 3.043 vereadores eleitos em 2012, apenas 385 são mulheres, 12,65%. Em Itajaí, dos 21 vereadores da atual legislatura, somente três são mulheres.

É fato que nós mulheres ainda somos sub-representadas pelos homens. Mas, se já possuímos direitos de voto há oito décadas, o que nos impede de lutar ainda mais para representar a cidadania na política? A União Interparlamentar (UIP) analisou 190 países para saber da representatividade das mulheres no parlamento: o Brasil ficou na 116ª posição, atrás de países do Oriente Médio, como Jordânia, Iraque e Paquistão. Essa análise foi divulgada em janeiro de 2015, com base na 54ª legislatura da Câmara dos Deputados e do Senado (2011 a 2015). Um dado alarmante em um país onde homens e mulheres dividem o direito de poder estudar, trabalhar e se aperfeiçoar na área desejada, mas acima de tudo: dividem a democracia.

Acredito que se nós mulheres queremos alguma mudança, nós precisamos tomar iniciativa nisso. E já tomamos várias. Desde o direito ao voto, até o direito de ganhar o mesmo salário exercendo a mesma função que um homem. Se igualdade é dividir meio a meio os direitos para homens e mulheres, cabe a mim, a você, a merendeira da escola, a advogada, a mãe e todas as brasileiras a se conscientizarem que lugar de mulher é em casa, no trabalho, na faculdade, no ônibus, em obras. Mas lugar de mulher é e deve ser na política também, representando a sociedade e acima de tudo, nosso direito de exercer a cidadania no país.

Clique aqui e veja as primeiras mulheres na política brasileira.

Agora que Michel Temer (PMDB) assumiu a presidência do Brasil, cabe a nós analisarmos suas indicações para ministros no país. Dos 23 ministros, todos são homens. Nenhuma mulher foi indicada. O governo Temer será o primeiro a não ter mulheres ministras desde o governo de Ernesto Geisel (1974 a 1979), durante o período da ditadura. No gráfico abaixo, confira a comparação de ministros do governo FHC, Lula, Dilma e Temer.

gráfico mulheres ministras

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