Bem-Estar

Surtos e doenças sazonais: os cuidados com os pequenos nas salas de aula

Conheça os principais surtos e doenças sazonais frequentes nos ambientes de educação infantil

Conheça as principais doenças sazonais frequentes nos ambientes de educação infantil

Texto: Mariana Ricardo e Thamiriz Garcia
Edição: Andressa Zuffo

O dia começa com sorriso no rosto e olhar de cuidado: “Bom dia! Como está o pequeno?” – pergunta a professora, sempre preocupada com o estado de seus alunos. Essa é uma maneira simples de demonstrar a preocupação com a saúde das crianças, além de passar mais tranquilidade para os pais. “A gente sempre repara quando as crianças estão com alguns sintomas. Se percebemos que algo está diferente já os separamos, inclusive nas refeições. Quando algo não está bem, ligamos para os pais para avisar. Eles precisam vir buscar, levar ao médico e a criança só pode retornar medicada e curada.” – conta Luana Barros, professora de um Centro de Educação Infantil do município de Itajaí.

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Foto: Andressa Zuffo

Mas o cuidado vai além do olhar atento diário em cada um dos pequenos. É necessário higienizar o ambiente diariamente, mesmo que não existam alunos doentes naquela sala. “Nós usamos álcool em gel que é disponibilizado pela prefeitura e distribuído pelas escolas e creches. As crianças fazem o uso nas mãos em diferentes períodos do dia, fora a lavação das mãos que acontece antes das refeições, depois do parque e na hora de escovar os dentes. Também fazemos higienização dos brinquedos e mesas todos os dias.” Dessa forma evita-se a proliferação de bactérias e o contágio de doenças comuns em ambientes de convívio coletivo, como o espaço escolar.

Patrícia tem duas filhas matriculadas na educação infantil pública do município de Itajaí. Sophia e Maria frequentam creches desde que a mãe precisou voltar ao trabalho depois da licença maternidade. Em casa, os cuidados são ainda mais rigorosos. Ao chegar da escolinha, o processo de higienização continua. “Eu ensino para elas que quando chegamos, precisamos tomar banho. No mínimo as mãos precisam ser lavadas.” Patrícia conta que uma de suas filhas teve sintomas de impetigo, foi medicada e se curou rapidamente, mas por mais que tenha toda preocupação e trabalhe a prevenção constantemente, ela sabe que no ambiente escolar as meninas tendem a ficar mais expostas a esses surtos e doenças sazonais. “Eu cuido sempre, sei que a escola também é atenciosa, mas quando o assunto é criança, nada é previsível. A minha filha, por exemplo, ao descuido de um adulto, pega a chupeta de outra criança ou até troca de talher com os coleguinhas”.

O médico pediatra Márcio Fossari explica que o ambiente de ensino infantil oferece, sim, riscos para o aumento do número de casos de surtos e doenças sazonais, principalmente pelo convívio social. “As doenças mais comuns nos berçários, creches e escolas são semelhantes e sazonais. Nos meses de calor, as gastroenterites e doenças de pele são mais frequentes, já nos meses de frio, as doenças respiratórias, gripes e pneumonias são as principais”.

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Conheça os principais sintomas dos surtos e doenças sazonais mais frequentes do ambiente escolar deslizando o mouse sobre as ilustrações abaixo:

O pediatra acredita que nem as escolas, nem a sociedade estão preparadas para lidar com as doenças sazonais. Ele afirma que há necessidade de incluirmos cuidados que vão além dos cuidados das crianças no ambiente escolar. Os pais muitas vezes se preocupam demais com o que acontece na escola, mas esquecem que as crianças continuam expostas em casa, com os familiares. O doutor ainda explica que nós temos as condições necessárias instaladas para responder a surtos como esses, mas ainda não temos as condições necessárias para evitá-los. “Percebe a diferença?”, questiona insatisfeito.

“Nós estamos trabalhando, conjuntamente, entre as secretarias de saúde e as secretarias de educação para mudança e avaliação dos processos relacionados aos surtos e como minimizá-los. É quase impossível tomá-los para nenhuma ocorrência, mas este é o ponto a ser perseguido.” – Márcio Fossari, médico pediatra.

Vigilância Epidemiológica alerta sobre confusão entre surto de impetigo e catapora na educação infantil

Há pouco mais de um mês, um possível surto de impetigo deixou em alerta pais e professores de creches em Itajaí e região. A doença, pouco conhecida, é uma infecção bacteriana comum que atinge as camadas superficiais da pele e que é muito confundida com a varicela, nome científico da catapora.

Os sintomas são parecidos, mas o dermatologista Mauricio Conti explica que o que aconteceu na região foi uma confusão de diagnósticos semelhantes. Há três anos, foi introduzida no Brasil a vacina contra varicela. A imunização não foi suficiente para evitar que as pessoas tivessem a doença, mas foi capaz de amenizar, fazendo que ao contrair a bactéria, o imunizado desenvolvesse uma varicela mais leve. “Agora o que nós estamos vivendo, então, são casos de catapora atípicos, fraquinhos, e isso levou a uma confusão com o surto de impetigo. Muita gente está em casa com catapora, achando que está com impetigo.” A vigilância Epidemiológica se manifestou por meio de uma nota técnica esclarecendo que estão sendo diagnosticados muitos casos de varicela e poucos de impetigo, por coincidência. Segundo o órgão, o surto é de catapora.

Piolhos são os casos mais comuns de surtos em ambiente escolar

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Foto: Andressa Zuffo

Piolho é o caso mais comum em crianças no ambiente escolar, principalmente por se alastrar facilmente. Além da coceira intensa na cabeça, o surgimento de lêndeas – muitas vezes confundidas com caspa – também é um dos principais sintomas do parasita. Os insetos se alojam no couro cabeludo, mas também podem viver em roupas e cobertas, ou até mesmo serem encontrados nas sobrancelhas e cílios. Esses casos de piolhos no corpo e em tecidos afetam apenas pessoas que não possuem higiene regular, sendo mais raros em crianças que frequentam escolas.

O tratamento é simples, feito através de loções e xampus próprios para o combate do parasita. Manter o couro cabeludo limpo e pentear sempre os cabelos também é um hábito importante para eliminar os insetos alojados na cabeça. Para evitar o contágio, é importante manter os cabelos amarrados e lavar as roupas com água quente.

A professora Luana Barros explica que, nos centros de educação infantil de Itajaí, os pais são alertados mensalmente sobre a importância da higiene para evitar a proliferação de piolhos. “Nós mandamos bilhetinhos nas agendas escolares pedindo atenção aos cuidados básicos e também ficamos de olho em sala de aula”.

 

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