Comportamento

Todas as formas de ser mãe

Com o Dia das Mães se aproximando, muitos preparam suas homenagens e presentes. Muitas famílias têm muitas histórias para contar sobre suas mães, que muitas vezes não são as mais "convencionais": são solteiras, são avós que se tornaram mães e até mesmo pais que assumiram o papel da mãe. Conheça algumas dessas histórias.

Com o Dia das Mães se aproximando, as pessoas preparam suas homenagens e presentes. Muitas famílias têm as mais diversas histórias para contar sobre suas mães, que muitas vezes não são as mais “convencionais”: são solteiras, são avós que se tornaram mães e até mesmo pais que assumiram o papel da mãe. Conheça algumas dessas histórias

Texto: Letícia Maia, Mariana Campos e Paula Leão
Edição e fotos: Alan Willian

Art. 25. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes. (Vide Lei nº 12.010, de 2009).

        Parágrafo único.  Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009).

Como o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diz, afetividade e afinidade são dois aspectos primordiais dentro da palavra família. São as partes mais importantes na vida de uma pessoa. É no seio familiar em que se encontra o acolhimento nas horas difíceis e o incentivo que faltava para enfrentarmos os desafios da vida, mas principalmente o amor incondicional de alguém que está disposto a qualquer coisa para te ver feliz.

Vai chegando o Dia das Mães e cada vez mais as pessoas vão ficando emotivas e amorosas. Parte disso é por entenderem todo sacrifício que uma mãe tem ao dar à luz a um filho, criá-lo, e passar por situações que muitas vezes eles nem imaginam. Agradecer todo amor e carinho parece pouco perto de tantas coisas recebidas quase sempre sem pedir.

A palavra “mãe”, sem dúvida alguma, traz um calor no coração e algumas pessoas dizem que não deveria ser considerado um substantivo, mas sim um verbo. É só considerar a quantidade de mães que são avós, pais que cumprem o papel de mãe e mães muito novas que acabam sendo desvalorizadas pela sociedade, por conta de sua idade.

A palavra mãe vai muito além. É estar no dia-a-dia cuidando e zelando pela felicidade e integridade de alguém, é ligar desesperada quando já faz 10 minutos que você deveria ter chegado em casa e não chegou, é dizer “leva um casaquinho, vai esfriar de noite”, é passar na cama antes de dormir para dar um beijinho de boa noite, é buscar na aula de inglês, na escola, na natação, na aula de dança. Tudo isso conciliando com o trabalho. Ser mãe é dar bronca quando o filho faz algo de errado, é mostrar o lado bom da vida e ensinar que colhemos aquilo que plantamos.

Sendo assim, família tradicional é uma expressão que pode ser considerada um tanto quanto “fora de moda”. Cada vez mais nos deparamos com casos de “mães de coração” que cumprem seu papel melhor do que a própria mãe biológica.

Marilá Picoloto: “avó-mãe”

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Marilá Picoloto e sua neta Sophia.

Marilá Picoloto tem 45 anos e é mãe de dois filhos praticamente adultos: Vinícius de 17 anos e Júlia de 23. Tem uma vida estabilizada e tranquila, com o ar de missão cumprida. Afinal de contas, criou seus filhos e conseguiu educá-los para o mundo.

Quatro anos atrás, Júlia, com 18 anos, acabou engravidando. Desde o início ela demonstrou sua insatisfação com esta surpresa da vida. Marilá sempre foi muito paciente e dedicou total apoio à filha, sabendo que, mesmo com essa mudança de percurso, Júlia amadureceria com este acontecimento e que, apesar de tudo, era uma vida que estava a caminho. Além disso, seu lado de avó havia acabado de aflorar. Afinal de contas, Marilá nunca escondeu a vontade de ser avó e de ter uma netinha para poder mimar o quanto quisesse.

Em 2012, Júlia deu à luz à Sophia. Durante os quatro primeiros meses de maternidade, a mãe amamentou e cuidou muito bem dela. Quando Sophia ganhou uma vaga na creche, Júlia começou a trabalhar e por vezes dividia as responsabilidades de maternidade com Marilá.

Cada vez mais Marilá sentia que seu compromisso aumentava. Começou com coisas básicas do dia-a-dia, que por morarem na mesma casa acabavam não sendo vistas como preocupantes. Até que em alguns momentos Marilá começou a notar que sua neta passava mais tempo com a vó do que com a própria mãe e isso acabou gerando um desconforto.

Quando Sophia completou um ano e oito meses, sua mãe Júlia saiu da casa de Marilá e, pela primeira vez, a avó da Sophia se viu com a missão de zelar pela proteção e integridade de sua neta. Por considerar que sua filha não tinha estrutura suficiente para cuidar de uma criança, Marilá conseguiu convencer Júlia de deixar Sophia morando com ela. E pela primeira vez Marilá recebeu uma guarda provisória com um tempo determinado.

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Marilá Picoloto e sua neta Sophia.

Depois de alguns meses, Júlia precisou voltar a morar com Marilá e por conta das duas terem pensamentos distintos acabavam discordando de muita coisa. “Até que um tempo depois, por uma discussão que tivemos, a Júlia começou a utilizar a Sophia como moeda de troca. Ela dizia que ou eu aceitava o que ela queria ou ela levaria minha neta embora. Foi quando eu disse que ela poderia levar, pois a filha era dela e a responsabilidade também”, conta Marilá.

Com o coração na mão, ela sabia que não seria fácil retomar a vida sem a companhia de sua neta. Marilá já estava apegada à rotina de ser “avó-mãe”. Júlia foi embora para o Rio Grande do Sul com Sophia e as duas moraram fora durante aproximadamente 5 meses. Esse foi o tempo suficiente para Marilá entender o quanto sua neta precisava dela.

Ao retornarem para Balneário Camboriú, Marilá foi atrás da guarda definitiva de sua neta, e hoje ela é responsável por qualquer coisa que tenha relação à Sophia. Por mais que o papel de mãe sobreponha o papel de avó diversas vezes, Marilá dribla as emoções para não perder as experiências na vida de avó. “Eu sempre tomei muito cuidado para não tirar o papel da mãe e nem perder o meu papel de avó”, conta.

Sophia hoje é uma criança feliz e ama sua avó incondicionalmente. Quando perguntada sobre o que ela sente por sua avó, ela contou que quando Marilá ficar velhinha é ela quem vai cuidar de sua vovó. Inteligente, delicada, meiga e muito valente, Sophia demonstra a todo momento o amor por sua avó-mãe, que se orgulha em contar as coisas lindas que escuta de sua neta.

Kathelin Bonvin: jovem mãe

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Kathelin Bonvir e sua filha Louise.

Algumas vezes nos deparamos com mães muito novas, que não conseguem ter a estrutura suficiente para cuidar de um filho, mas em outras encontramos mães mais novas ainda que fazem “das tripas coração” para dar conta desta missão que recebem de ser mãe.

Kathelin Louise Bonvin tem 22 anos e aos 16 anos descobriu que estava grávida de seu namorado, que na época tinha 18 anos. No começo foi muito complicado de aceitar, mas aos poucos a situação se acalmou e se acomodou. O instinto materno sempre esteve presente no coração de Kathelin. Sua relação com seu namorado sempre foi maravilhosa e ela não tinha nada do que reclamar. Com o tempo, Kathelin percebeu que a relação esfriou e a realidade veio à tona, quando ela completou seis meses de gestação seu relacionamento acabou.

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Kathelin Bonvin e sua filha Louise.

Então Louise nasceu. Quando ela completou cinco meses de vida, Kathelin resolveu dar mais uma chance para sua família e acabou reatando o namoro com o pai de sua filha. Só que quando Louise completou um ano e quatro meses decidiram cada um seguir sua vida novamente. Então Kathelin passou a cuidar de sua filha de maneira quase independente do pai de sua filha.

“Minha filha é a maior motivação da minha vida. Eu crio forças para levantar e trabalhar todos os dias por causa dela”. – Kathelin Bonvin, mãe da Louise.

Uma das coisas que mais deixou a mãe de Louise abalada foi na época de gestação, todo preconceito que ela viveu por ser uma menina “nova” grávida. “As pessoas me olhavam como se eu fosse uma menina largada, sem família, sem orientação”, explica.

Até hoje ela encara o preconceito das pessoas em sua volta, principalmente quando sua filha lhe chama de “mãe” e todos escutam. “Eu criei e crio minha filha muito bem, às vezes até melhor do que muita mãe de 30, 40 anos. Eu queria que as pessoas parassem com esse preconceito. Sempre cuidei muito bem de minha filha”, completa.

Hoje, Kathelin tem um namorado, Diego. Ele assumiu o papel de pai da Louise. Sua ligação com a filha de coração é muito forte. Ele ajuda Kathelin de todas as maneiras possíveis e veio para completar a família.

Wilson Joay: “pãe”

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Wilson Joay e seus filhos Wilian, Julia e Welington.

Assim como existem mães valentes, encontramos muitos pais que acabam encarando realidades que muitas vezes não imaginamos que encarariam.

Wilson Joay tem 47 anos e é pai de Julia, de 22 anos; Welington, de 21 anos; e Wilian, de 17 anos. Wilson se casou e depois de quatro anos descobriu que seria pai, o seu maior sonho. Sua felicidade quase que não cabia em si. Logo em seguida seus outros filhos nasceram, mas sua esposa mostrava um comportamento um tanto quanto impaciente com as crianças.

Quando seu filho mais novo estava com aproximadamente quatro meses de vida, a mãe da família resolveu ir embora. Wilson, mesmo trabalhando muito e sem ter muita noção de como criar três filhos, encarou a situação e resolveu aprender a ser um “pãe”.

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Wilson Joay e seus filhos Júlia, Welington e Wilian.

No começo ele precisava deixar as crianças na casa dos vizinhos, parentes ou amigos durante o dia, pois ele trabalhava muito. Chegava em casa sempre muito tarde, ajeitava todas as crianças e fazia o serviço de casa. Havia dias em que ele dormia às quatro horas da manhã e, quando conseguiu creche para todos eles, acordava às cinco para dar banho em todos e prepará-los para escola.

Sua família em alguns momentos dizia que ele deveria levar as crianças para um orfanato, pois acreditavam que ele não daria conta de tantos filhos sozinho. “Mas eu nunca pensei nesta possibilidade. Mesmo diante de tantas dificuldades, o amor que eu tenho por meus filhos sempre foi muito grande”, completa. Hoje as crianças já estão crescidas, são independentes, trabalhadoras e muito felizes.

Mesmo com tantos desafios, todas as mães sempre dão um jeito de mostrar que o que vale mesmo é o amor. Conseguem superar o dia-a-dia corrido e chegar em casa dispostas para atender os dilemas de sua família. Desejamos um feliz Dia das Mães para todas as mães, vós, pães… enfim! Para todas as pessoas que dedicam seu amor integral a alguém!

Confira agora os bastidores da sessão de fotos que realizamos com os personagens desta matéria!

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