Bem-Estar

Outono começa com altos índices de H1N1

Falta de vacinas na rede pública e privada assusta a população

 Falta de vacinas na rede pública e privada assusta a população

Texto: Bárbara Porto e Lucas Rosa
Edição: Marcelo Martim

Até o mês de abril desse ano, foram registrados no país 1.365 casos de H1N1, o que resultou em 230 óbitos. Essa é uma das doenças esperadas nas estações frias, época em que as pessoas costumam ficar em ambientes fechados e com pouca renovação de ar. Mesmo assim, os dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde impressionam, até porque a expectativa era que em 2016 o pico da doença acontecesse apenas em meados de julho.

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Em 2016, observa-se uma mudança no início do período de sazonalidade da circulação do vírus influenza, quando comparado com o mesmo período dos anos anteriores. Fonte: Sinan Influenza Web

A real causa para o elevado número de casos antes do previsto ainda não está totalmente esclarecida. A principal suspeita é de que o vírus tenha vindo de outro país, explica o biólogo Thiago Melo. “Provavelmente de algum lugar onde é inverno. A pessoa infectada veio para o Brasil e como é um vírus fácil de se multiplicar e se alastrar, chegou mais cedo. Ele é mais virulento, facilmente transmissível. Isso tudo contribui”.

Existem três tipos de Influenza, o vírus da gripe: A, B e C. O Influenza C é a gripe comum, que provoca mal-estar. Já os tipos A e B podem causar epidemias sazonais – que aparece sempre em uma determinada época do ano – o que preocupa mais. O surto de H1N1 é responsável pelo tipo de gripe A, e já provocou mais de uma pandemia.

Ele foi registrado pela primeira vez em 1918, no Kansas, Estados Unidos e recebeu o nome de gripe espanhola devido ao grande número de mortes pela doença na Espanha. Especialistas acreditam que cerca de 50 milhões de pessoas morreram na ocasião. O que representou um quinto da população mundial e provocou mais vítimas que a primeira guerra mundial.

Mesmo com o fim do surto global em 1919, o vírus da gripe espanhola não sumiu de vez. Ele se modificou e voltou forte em 2009, uma das suas mutações foi responsável pela pandemia que matou cerca de 18,5 mil pessoas. Esse fenômeno aconteceu em menos de 14 meses.

O Professor e Doutor em Microbiologia Agrícola e do Meio Ambiente, Marcus Adonai, esclarece que as mutações dos vírus são algo natural, que sempre vão ocorrer no material genético. Inclusive no nosso. “É a premissa de que não somos iguais, mesmo que com diferenças sutis. Alguns vírus sofrem mais mutações do que outros. Isso tem relação com o tipo de material genético que eles possuem”.

Adonai explica que as células humanas, com material genético de DNA (Ácido desoxirribonucleico), quando se reproduzem, possuem um mecanismos que detecta possíveis erros e os corrige. Já os vírus, por possuírem um material genético diferente, composto por RNA (Ácido Ribonucleico), não conseguem fazer essa correção. Se multiplicam com mutações. Por esse motivo todos os anos, em setembro, é liberada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a composição da vacina contra a gripe, para o inverno seguinte. Ela é revista e atualizada diante de possíveis mutações do vírus. Como a composição da vacina é uma só, as disponibilizadas pelas redes públicas ou particulares são as mesmas, ambas são eficazes.

Professor Adonai explica o que é um vírus e como ele sofre mutação

Então, como o vírus muda muito rápido, logo a vacina perde a validade, e todos os anos é necessário tomar a nova dose. Assim que elas chegam o Ministério da Saúde inicia a Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe. Este ano, ela acontece de 30 de abril a 25 de maio. No Sistema Único de Saúde (SUS) elas são distribuídas para gestantes, idosos, crianças de 6 meses a 4 anos, profissionais da saúde e portadores de doenças crônicas. Além dos grupos anteriores, podem receber a vacina puérperas de até 45 dias, detentos, funcionários da rede prisional e indígenas.

Zibeilde Ferreira Borges, enfermeira e coordenadora de imunização de Balneário Camboriú, explica como são selecionados os grupos de risco para receber a vacina

SITUAÇÃO NA REGIÃO

De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde, o Sul é a segunda região do país com maior quantidade de casos, 198 infectados e 45 óbitos, perdendo somente para a região Sudeste, com 1.106 casos e 186 óbitos. Devido aos números elevados antes do previsto, alguns estados do Brasil solicitaram a antecipação da campanha de vacinação contra influenza. Um deles foi Santa Catarina, que adiantou o início das vacinações para dia 25 de abril.

As informações mais recentes, do dia 5 de maio, divulgadas pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE) do estado, mostram que em Santa Catarina houver 132 casos, que resultaram em 26 mortes. Blumenau é o município que apresenta maior número de infectados (36) e óbitos (4).

Nos anos de 2012 a 2015, o pico da doença aconteceu nos meses de junho e julho. Este ano, em março, o número de casos confirmados já ultrapassavam os dos anos anteriores no mesmo mês. Em Itajaí, seis pessoas foram contagiadas pelo vírus H1N1 e não houve nenhum óbito referente à doença.

Veja o documento completo divulgado pela DIVE aqui

Quando os primeiros aparecem, a grande preocupação é conseguir a vacina o mais rápido possível. Entretanto além das pessoas, as clínicas especializadas também correm contra o tempo para abastecer seus estoques com o remédio.  Luísa Helena, técnica de enfermagem da clínica especializada em vacinas, a Bravacinas, em Itajaí, está preocupada com o cenário desse ano. “Não temos mais vacinas, faz uma semana que acabou, e acredito que está assim no estado inteiro. Temos que importar e só vai chegar daqui a duas semanas”. Com o produto em falta, consequentemente o preço aumenta. “Eu concordo que a vacina está muito cara nesse ano, mas estou impressionada com a procura. As pessoas querem se vacinar e curiosamente não estão preocupadas com o preço”, admite.

Zibeilde explica que a situação na região é de alerta, mas ainda não caracteriza uma epidemia. “A mudança climática é muito precoce e os casos detectados até o momento aconteceram de forma isolada”, conclui.

FAÇA SUA PARTE. PREVINA-SE

Em 2009, quando o H1N1 reapareceu de forma devastadora, a diretora da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, disse que em regiões onde o vírus H1N1 se espalhou livremente, as nações deveriam se preparar para lidar com casos de infecções severas, e até mesmo fatais. “O inverno no Hemisfério Sul dá aos vírus da gripe uma oportunidade de se misturar e de intercambiar seu material genético de maneira imprevisível”, comentou.

Nesta ocasião Daniel Schiavoni morava em São Paulo. Ele que nunca tomou a vacina, acredita que o uso do transporte público, quase que diário, pode ter sido um dos motivos que o levou a ser infectado pelo vírus. “A febre era muito alta. Fiquei de cama por uma semana e sem ir à escola por uns 15 dias”, lembra o estudante. Daniel mora com seus pais e na época eles tinham muita preocupação de contrair a doença também.  “A casa estava sempre aberta e arejada e quando entravam no meu quarto e falavam comigo lavavam as mãos. Felizmente nenhum dos dois ficou gripado”.

A médica, Ceres Fabiana Felski da Silva, explica quais são os principais sintomas de uma pessoa infectada pelo vírus H1N1

O relatório emitido pela DIVE indica que o vírus influenza tem atingido principalmente adultos e pessoas com comorbidades (doentes crônicos e obesos). A faixa etária mais afetada, até o momento, são as pessoas com idade entre 49 a mais de 60 anos, que correspondem a 64,2% dos doentes. Esses grupos tendem a apresentar complicações quando infectados, por isso a importância de procurarem um serviço de saúde mais próximo da residência aos primeiros sinais e sintomas de gripe para o tratamento adequado. Zibeilde, explica que após a vacina ser ministrada leva em média de dez a 15 dias para fazer efeito no organismo.

Além da vacinação para os grupos prioritários, as principais formas de prevenção para a gripe são: higiene respiratória, cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir, tratamento precoce com medicamentos antivirais, que ajudam a evitar a evolução para formas graves. A prevenção individual é tão essencial quanto a vacinação.

 

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