Arte e Cultura

Um mundo de personagens que vira negócio

O crescimento de empreendimentos voltados ao público nerd tem ganhado força nos últimos anos

Texto: André Schlindwen e Juliana Costa Masera
Edição: Leandro Pereira

 

O que Batman e T-800 de “O Exterminador do Futuro 2” têm em comum? Os dois personagens foram, de certa forma, um incentivo para duas pessoas começarem a empreender. Para ambos, um hobby acabou virando negócio. Felipe Kister confecciona fantasias de personagens da cultura pop e Ronie Staack tem uma loja de action-figures.

Esses dois empreendimentos voltados ao público nerd são exemplo de um mercado em expansão. Com a primeira edição em 2014, a Comic Com Experience, em São Paulo, já é o terceiro maior evento do tipo no mundo, perdendo apenas para as Comic Con realizadas em Nova Iorque e San Diego, ambas nos Estados Unidos.

Presente nas duas primeiras edições da CCXP, a Fantoy Colecionáveis pode mostrar para um público segmentado aquilo que oferece, ou seja, produtos nerds para nerds. “Tivemos orgulho de participar das duas primeiras edições e sentimos um retorno pós evento muito significante”, diz Ronie Staak, diretor comercial da Fantoy.

Oriundas de Brusque, a Fantoy e a Kister Alvarez Design não tem em Santa Catarina seu maior número de clientes. Felipe conta que a venda de suas fantasias, que é feita em sites como eBay e Mercado Livre, é maior em regiões como Norte e Nordeste. “Eu tenho vendido peças há aproximadamente dois ou três anos e nesse tempo acredito que, para o estado, tenha saído em torno de 10 peças apenas”.

Apesar de representar uma pequena parcela nas vendas da Fantoy, as vendas no estado têm aumentado. “Neste período inicial do ano perdemos mercado no Distrito Federal e ganhamos em Santa Catarina. Acredito que esteja havendo uma criação de mercado. Pessoas que gostam estão descobrindo que a Fantoy existe e que até o próprio mercado [de colecionáveis] existe” conta Ronie.

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Mesmo com o crescimento, o mercado de colecionáveis ainda enfrenta problemas no Brasil. Segundo Ronie, vários fatores envolvem a questão, como altas taxas de empresas de pagamento on-line, serviços de transporte, fraudes envolvendo cartões, lojas com reputação duvidosa, além da oscilação cambial. Como os produtos são importados, a constante variação do dólar acaba prejudicando quem trabalha nesse mercado.

Quem é o consumidor desse mercado

Por alguns fatores como o interesse em cultura pop, o poder de compra e a pouca oferta de lojas do ramo, o mercado nerd ainda é considerado de nicho. Ronie explica que não existe um perfil definido do consumidor. São homens, mulheres, jovens, pessoas de mais idade e com diferentes empregos. “É mais uma questão de cultura pessoal do que de algo que possa ser mensurado geograficamente, por gênero e faixa etária”.

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Espaço físico da loja em Brusque/SC. Foto: Divulgação Fantoy

Muitos colecionadores têm esse hobbie desde a infância e na vida adulta só tornaram a coisa mais séria. Foram as participações em eventos de anime que levaram Guilherme Hideki, aos 12 anos de idade, a entrar no mundo dos colecionáveis. Mas, ao ganhar do pai os Cavaleiros de Ouro, da série Cavaleiros do Zodíaco, Guilherme entendeu o que é colecionar. “Não era só ter os Action Figures e brincar com eles, meu pai nos ensinou a importância de preservá-los e cuidar deles, para que no futuro estivessem no bom estado que estão, que pra mim é um dos motivos de poder falar que “coleciono” algo”.

Os empreendimentos

Felipe começou a fabricar fantasias seis anos atrás. Segundo ele, só cria fantasias de personagens dos quais gosta, como de alguns filmes. Tudo começou quando não conseguiu uma fantasia do Batman que viu a venda no eBay. “Depois que ela foi vendida fui atrás e tentei adquirir de todas as formas e não consegui. Durante essa procura conheci pessoas que faziam, entendi um pouco do processo de construção de uma fantasia dessas e passei a acreditar que eu poderia, ao invés de comprar uma, produzir eu mesmo”.

Dois modelos de máscaras fabricados por Felipe Kister. Foto: Kister Alvarez Design

Ao vender o primeiro produto na internet, ele percebeu que esse trabalho poderia ser uma fonte de renda, mas esta não é sua única ocupação. Ele produz as peças que gosta em seu tempo livre e dispõe de um estoque limitado. “Eu trabalho em escritório durante horário comercial, então o estúdio é um segundo trabalho para noites e finais de semana apenas”.

O negócio de Ronie começou em 2012, mas o pontapé veio anos antes, em 2009. Na época ele descobriu através do site Omelete uma action-figure de Arnold Schwarzenegger como T-800, fabricada pela Hot Toys, a qual acabou adquirindo. Logo depois, seu irmão, sócio na Fantoy, fez parecido, comprando outra peça da marca. Apesar de colecionarem réplicas de carros desde a infância “este foi o começo do nosso colecionismo quando adultos, que acabou criando a Fantoy”, diz Ronie. Desde então a Fantoy atua na venda de réplicas, estatuas e action-figures, focando na venda pela internet.

E para aqueles que acham que esse tipo de coisa é algo de criança, Guilherme Hideki responde: “Se não estou atrapalhando ninguém e estou comprando com meu dinheiro que investi, ninguém tem nada a ver com isso. Um bom action-figure representa a nostalgia de uma época muito boa e lembranças de filmes, séries, videogames, animes e desenhos que marcaram, marcam e vão me marcar ao longo da vida”.

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