Entrevista

O mundo vai acabar e ela só quer dançar

Halessa Driéllen dança há 14 anos apesar de conviver com uma doença cardíaca

Texto: Talissa Peixer

Os braços e as pernas se mexem freneticamente. Em conjunto, o alinhamento e a intensidade de cada passo elaborado de maneia perfeita pelos membros do grupo são ovacionados. Individualmente, a plateia vibra por cada rodopio executado de forma magnífica e imponente. Dia 29 de abril é o Dia Mundial da Dança e para conhecer ainda mais o universo dos bailarinos que levam a dança como hobby entrevistamos a estudante de Direito Halessa Driéllen, 21 anos, que dança há 14 anos, apesar de conviver com uma doença cardíaca.

Você começou a dançar com quantos anos?

Halessa: Costumo dizer que já dançava antes mesmo de andar, pois sempre que tocava uma música eu já estava mexendo meu corpo (risos). Uma das minhas “brincadeiras” favoritas era dançar. Eu colocava alguma música e ficava dançando em frente ao espelho. Mas foi na primeira série do ensino fundamental que entrei realmente pra dança, no ano de 2002. Com sete anos comecei com o balé.

Você dançou quais modalidades?

Halessa: Dancei por quatro anos balé e fiz dois anos de ginástica rítmica. Depois do balé comecei a dançar jazz e danças populares, foi quando comecei a competir em festivais.

Você teve algum obstáculo que dificultou sua vida como bailarina?

Halessa: Eu tenho arritmia cardíaca desde os oito anos e sempre acompanhei com exames médicos. Na primeira cirurgia que eu fiz, não deu certo. Na segunda, resolveu um pouco o problema. Hoje em dia, quando sinto a arritmia é numa frequência bem menor. Em 2008 iria competir pela primeira vez no Festival de Dança de Joinville e foi um dos momentos mais difíceis pra mim. Naquele ano, precisei fazer as cirurgias. Aconteceu tudo muito rápido e eu só tinha 14 anos. O que eu mais queria era que me curassem pra poder dançar no festival daquele ano. Lembro bem do momento em que o médico veio dizer que eu não poderia dançar ainda. Então, como não iria dar tempo de me recuperar completamente, a professora de dança remontou a coreografia para eu poder fazer uma pequena participação e não ficar completamente de fora.


Coreografia “Alegria Mexicana” apresentada em 2008 no Festival de Dança de Joinville, na qual Halessa teve uma participação especial.

Quem são as pessoas que mais te apoiam na dança?

Halessa: Todos meus amigos, minha família, mas principalmente meus pais que sempre estiveram presentes em todas as minhas apresentações, me levando aos ensaios, que muitas vezes também são nos finais de semanas.

Você tem algum bailarino, bailarina ou grupo que te inspira?

Halessa: Eu tenho uma inspiração por cada bailarina que já dançou comigo, a determinação de uma, o comprometimento da outra, a forma de executar movimentos de outra. Cada menina possui uma singularidade na qual tento me espelhar e acrescentar isso na minha dança, sem esquecer, claro, de todas as professoras por quais passei e que foram grandes inspirações para continuar nesse meio.

A dança para você é um hobby?

Halessa: Eu tenho a dança como um hobby sim, no sentido de que não seguiria uma carreira nesse ramo, mas tudo que eu faço levo muito a sério e não é diferente com a dança. É uma das minhas paixões dançar, não consigo me imaginar não dançando, não estando nos palcos. Tanto é que me esforço ao máximo pra conciliar meu trabalho com minha faculdade e a dança. Minha rotina é bem puxada, mas não me queixo porque faço o que gosto. Conciliar os estudos, com trabalho e a dança, é cansativo. De manhã eu estudo, de tarde eu trabalho, e, de noite, são os ensaios e finais de semana também. Enquanto eu tiver condições de dançar, continuarei dançando.

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