Cidades

Levaram a minha zika: roubos e furtos de bicicletas em Balneário Camboriú

Um problema que Balneário Camboriú e região enfrenta são os roubos e furtos de bicicletas. Toda semana há casos (a Polícia Civil não soube precisar quantos). Polícias e ciclistas mostram a situação e como ela pode ser solucionada ou pelo menos amenizada.

Um problema que Balneário Camboriú e região enfrenta são os roubos e furtos de bicicletas. Toda semana há casos (a Polícia Civil não soube precisar quantos), e muitos deles a vítima acaba nem sabendo que sua bicicleta foi recuperada – na Delegacia da Comarca de Balneário, que fica na Rua Inglaterra, há um pátio com mais de 200 bikes. Polícias e ciclistas mostram a situação e como ela pode ser solucionada ou pelo menos amenizada.

Texto: Iana Girardi e Lucas Machado

Edição: Renata Rutes

Ciclista já foi furtada duas vezes

A vendedora autônoma Otília May costumava usar a bicicleta como meio de transporte para trabalhar. Hoje, após ter duas de suas bicicletas furtadas, confessa que não tem mais coragem. “Sempre fico sabendo de casos. Roubos enquanto a pessoa está pedalando são quase nulos, mas furtos são comuns. O negócio é ter um cadeado bom e estacionar a bike em bicicletários confiáveis. Hoje é difícil encontrar quem ainda não teve sua bicicleta furtada”, afirma.

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Ciclista Otília May já foi furtada duas vezes e hoje afirma que tem medo de usá-las no dia a dia. (Foto: Divulgação)

A ciclista conhecida como ‘Neguinha’ conta que conseguiu recuperar a bicicleta do primeiro roubo. “A primeira bicicleta que me furtaram foi levada em Balneário e localizada em Camboriú. Era um modelo bem exclusivo, então quando a localizei logo pude ver que era a minha”. Porém, na segunda vez, que aconteceu há seis meses, ela não fez registro de ocorrência. “Os bandidos escalaram meu prédio, com escada, até o terceiro andar. A primeira bike recuperei, mas essa outra nunca mais”.

De três furtos, recuperou uma

O ciclista Henrique Wendhausen já foi furtado três vezes e recuperou apenas uma das suas bicicletas. Apesar disso, diz acreditar no trabalho da polícia e lamenta o fato de que os ladrões são presos e logo liberados. Hoje, ele tem quatro bicicletas e as usa como meio de transporte.

O primeiro furto aconteceu em 2005, em Balneário. O ladrão roubou a bicicleta de dentro de seu prédio e foi filmado pelas câmeras de segurança. O bandido chegou a oferecer para ele comprar de volta a sua própria bicicleta, alguns dias mais tarde. “Ela já estava desmontada e pintada de rosa”, conta Henrique. Mas nunca foi recuperada.

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Henrique já foi furtado três vezes. Na foto, ele exibe a sua Chopper recuperada. (Foto: Iana Girardi)

Então morando em Camboriú, Henrique foi vítima de um segundo furto seis anos depois, e também não conseguiu recuperar a bike. “O ladrão se aproveitou de um dia de tempestade, pulou o muro e levou a bike e o dinheiro da carteira. Não notei nada”.

Em maio de 2015 aconteceu o terceiro furto, quando Henrique voltou a morar em Balneário. “Estava acorrentada na garagem do meu prédio e foi furtada”. A bike Chopper, modelo bem exclusivo, foi reconhecida por um amigo e recuperada em novembro. “O cara que estava com ela tinha recebido como parte do pagamento de uma camionete”, salienta.

Polícia Militar encontra

No 12º BPM de Balneário Camboriú, estão hoje quatro bicicletas. Quando recuperadas, as bikes geralmente são encaminhadas para a delegacia na Rua Inglaterra, porém, quando não há solução, como em casos em que o bandido abandona a bicicleta e a vítima não é localizada na hora (não há situação de flagrante), acabam indo parar no batalhão.

Segundo o cabo Denício Rosa, é difícil estimar quantas bicicletas são roubadas e furtadas na cidade, pois elas entram na lista de ‘encontro de objetos’, junto com automóveis, motos, celulares. “Normalmente, quando recuperamos é algo rápido. Por exemplo, ela é furtada em um dia e recuperada no outro”, explica. Porém, nas vezes em que donos não vão até o 12º BPM para recuperar suas bicicletas, elas são encaminhadas ao Fórum e o juiz decide se elas serão doadas ou destruídas.

Denício lembra do Bike Registrada – um adesivo que é colado na bicicleta. “Com ele o pessoal registra sua bicicleta e através dele consultamos de quem ela é, para assim devolver ao dono”, comenta. O aplicativo já está começando a ser utilizado em Balneário.

Civil guarda e registra B.O.

O delegado responsável pela Delegacia da Comarca de Balneário Camboriú, David Queiroz de Souza, no cargo há oito meses, explica que grande parte dos furtos (principalmente) e roubos que acontecem têm envolvimento com drogas. Segundo ele, quando para uso próprio, as bikes geralmente são utilizadas em uma cidade diferente da qual foram roubadas. “É difícil encontrar ladrões que furtem ou roubem para uso próprio, mas quando isso acontece eles costumam pintar a bike e raspar o chassi, para tentar modificá-la o máximo possível”, lembra.

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Delegado David está há oito meses no comando da delegacia da comarca de Balneário Camboriú e reconhece a situação. (Foto: Renata Rutes)

Por droga

Os furtos, principalmente, estão relacionados a usuário de drogas. Grande parte das bicicletas furtadas ou roubadas são de menor valor. “Adolescentes também se envolvem nessas infrações e são julgados da mesma forma, normalmente eles também cometem esses atos para comprar drogas”, diz o delegado.

Por serem usuários de drogas, eles acabam aproveitando de qualquer situação de distração da vítima. “A vítima acaba facilitando o furto: coloca a bicicleta amarrada em um poste, mas em um local sem grande circulação de pessoas”.

Em condomínios

De acordo com o delegado, também há muitos registros de furtos de bicicletas em condomínios. “Quando o veículo sai do prédio e a porta da garagem continua aberta, por alguns segundos, possibilita que o ladrão entre e pegue a bike, que normalmente está só encostada ou com cadeado na roda (ele leva nas costas e depois apenas quebra o cadeado)”, explica.

Mais de 200

David afirma que o número de furtos e roubos de bicicletas em Balneário Camboriú é alto, com casos semanais. “Acredito que menos de cinco casos semanais, mas sempre temos registros, seja de furto ou roubo como também de recuperação do objeto”, diz.

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Mais de 200 bicicletas recuperadas pela polícia estão no pátio da delegacia da Rua Inglaterra, no Bairro das Nações de Balneário Camboriú. (foto: Renata Rutes)

Às vezes, é feito um trabalho de divulgação pela Internet das bicicletas recuperadas, porém, por falta de tempo, nem sempre a Polícia Civil consegue divulgar todas. Cabe à vítima ir até a delegacia conferir se sua bike está lá. “Elas ficam em nosso pátio por um bom tempo, mas em razão das questões da Vigilância Sanitária e acúmulo de água (dengue) elas acabam sendo enviadas para destruição”, comenta. Grande parte é recuperada pela PM ou Guarda Municipal.

Registrar sim

O registro do B.O. é imprescindível pois é a única forma da delegacia reconhecer a bicicleta e avisar na hora que ela for recuperada. O B.O. eletrônico não pode ser feito nesse caso. “São poucas às vezes que a delegacia está lotada e que a pessoa irá demorar para ser atendida”, finaliza o delegado David.

Loja Ciclo Sport já foi arrombada e furtada

O crime aconteceu há dois anos. Os bandidos quebraram o vidro e levaram quatro bicicletas, que custavam de R$ 1 mil a R$ 2 mil. O proprietário do estabelecimento, Luiz Roberto de Matos, conta que toda semana ouve falar de algum furto ou roubo ocorrido na região de Balneário. “Quem tem hoje uma bicicleta boa precisa ter cuidado, tanto na rua como também em casa”, opina.

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O empresário Luiz Roberto já teve sua loja de bicicletas arrombada e furtada. Ele comercializa o seguro para bikes Bike Registrada. (Foto: Renata Rutes)

Ele afirma que é preciso ter cuidado na hora de guardar a bike, e usar cadeado de qualidade, que em sua loja varia de R$ 30 a R$ 100. Luiz também comercializa o adesivo do Registra Bike. “Vendemos o número por R$ 35 e a pessoa registra no site (bikeregistrada.com.br). A Polícia Militar terá acesso a esse banco de dados e poderá ver quando recuperar a bicicleta de quem ela é. Quando o bandido tira o adesivo fica a marca, porque ele é feito com uma cola especial”, conta.

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Luiz também é ciclista, dono de três bicicletas, que usa de três a quatro vezes por semana, como meio de transporte e também para simplesmente pedalar. Sua esposa já teve duas bicicletas furtadas, a primeira há seis anos e a outra há quatro. A primeira foi levada da frente de uma agência bancária (estava cadeada) e a outra da garagem do prédio. “A insegurança existe sim, não só em nossa cidade como em todas as outras. Os proprietários de bicicletas precisam ficar atentos”, afirma.

Seguros para bikes

Diversas empresas, como a Estar Seguros, Neptunia Corretora de Seguros e a Argo Brasil, começaram a oferecer seguro para bicicleta diante dos tantos casos de furto ou roubo. O preço do seguro pode variar, em média, de R$ 500/ano e franquia de R$ 1 mil – isso para bicicletas que custam de R$ 3 mil a R$ 8 mil. Para bicicletas com valores maiores, o valor do seguro pode aumentar.

O corretor de seguros Márcio Mafra, da empresa V8 Consultoria, na Praia Brava de Itajaí, explica que fizeram parceria com uma seguradora e que o pacote que oferecem é para incidentes ocorridos dentro e fora de casa. “O seguro abrange também danos no transporte, quedas ou colisão com terceiros”, diz. O preço custa de 4 a 8% do valor da bike. “Seguramos bicicletas que custem a partir de R$ 3 mil, até R$ 100 mil – e sabemos que há bikes que valem até mais do que isso”. Márcio também conta que recebem muitas reclamações de roubos e furtos, e explica que o serviço precisa ser mais divulgado para que chegue ao conhecimento de mais clientes.

Estabelecimentos comerciais são responsáveis

O delegado David Queiroz de Souza afirma que shoppings e mercados devem se responsabilizar pelas bicicletas em seus estacionamentos. Ele explica que os avisos eximindo os estabelecimentos de responsabilidade não têm validade. “Eles se responsabilizam na esfera civil, não criminal. Mas não há muitos casos do tipo, já que os ladrões ficam apreensivos com as câmeras e os próprios seguranças que normalmente atuam nesses locais”. informa.

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Estabelecimentos comerciais como mercados e shoppings são responsáveis se uma bicicleta é furtada ou roubada em seus estacionamentos. (foto: Lucas Machado)

Sindicato da Habitação apoia ciclistas

O presidente do Sindicato da Habitação de Balneário Camboriú, Sérgio Santos, afirma que os condomínios fazem o que podem para coibir esses crimes, como a instalação de câmeras de segurança, mas que infelizmente isso não está sendo suficiente. O sindicato recebe inúmeras reclamações de bicicletas furtadas de dentro dos condomínios. “Os síndicos reclamam, até porque chamam a Polícia Militar que vai até lá e registra a ocorrência, mas não repassa para a Polícia Civil. Não existe investigação para tomar providências sobre esses casos”, informa.

Sérgio comenta que pelo menos 60% das bicicletas no pátio da Polícia foram levadas de condomínios. “Se eles disponibilizassem as imagens para nós, nós faríamos um banco de imagens”. Em nome do Secovi, ele se coloca à disposição para fazer uma parceria com a Polícia Civil e divulgar as imagens das bicicletas furtadas/roubadas que estão na da delegacia.

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