Opinião

A incoerência pública

O cenário quente da política nacional diverge opiniões.

Texto: Leandro Pereira
Fotos: Antônio Augusto/Zeca Ribeiro – Câmara dos Deputados

Antonio AugustoCâmara dos Deputadosdff

Pela paz em Jerusalém, em homenagem ao aniversário da minha cidade, pelos médicos brasileiros, pelos maçons, pela BR-429, pelas mães, esposas, filhos, netos, famílias, Deus, pelos corretores de seguros, para que crianças de seis anos de idade não mudem de sexo, meu voto é sim! Estes são apenas alguns dos diversos argumentos bizarros utilizados pelos bons moços do Congresso Nacional para darem prosseguimento ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A Câmara dos Deputados aprovou o processo no dia 17 de abril. O resultado foi de 367 votos a favor contra 137. Durante todo o domingo, quem acompanhou ao menos cinco minutos da transmissão percebeu que a desordem era completa.

À determinada altura do campeonato, o objetivo real já tinha se perdido. Parece que o momento era oportuno para tantas outras ações que não condiziam com a principal ideia da votação de um impeachment. Será que os nossos deputados foram avisados ou orientados? Será que eles conhecem o impacto que isso causa na organização de um país? Espero que sim, já que são eles quem nos representam (ou deveriam).

E por falar em representar, sim, são representantes populares e estão lá porque foram eleitos pela sociedade, ou ao menos porque seus partidos receberam uma quantidade significativa de votos que possibilitou a entrada. Daí a importância de pensar não só no político, mas também no seu partido, pois ele diz muito sobre sua conduta.

É aceitável que muitos brasileiros já estejam desacreditados numa política séria e honesta, mas, por incrível que pareça, alguns produzem bons resultados. Às vezes, leva tempo para encontrá-los, são poucos. Mas como brasileiros, é uma questão de responsabilidade coletiva diante de todo esse cenário. Somos nós quem fazemos o Brasil.

Alguns nos envergonharam com seus discursos inusitados e fora de contexto. Outros seguiram a lógica. Uma confusão sem tamanho. A indignação com o Congresso protagonizou a festa e deixou em segundo plano as guerras partidárias. E como sempre, o bom brasileiro faz o que diante de uma situação dessa? Ri. Virou piada. As redes sociais se encheram de conteúdos que satirizavam as dedicatórias dos votos. Não perdemos o humor. Perdemos a paciência.

Antonio AugustoCâmara dos Deputados

E se a rotina na Câmara fosse tão intensa quanto naquela semana? Acho que teríamos melhores projetos sendo aprovados e mais ações positivas por nosso país. Mas essa foi uma semana extra, provável que não aconteça novamente. Pelo menos a possibilidade é pequena.

O jeito de se fazer política neste país mudou. E isso não é recente. Cabe a nós, mais uma vez, estudarmos o perfil de quem contará com nosso voto. Ou cobraremos pelos nossos direitos ou não teremos um discurso de qualidade para sustentar. As ineficiências das ações políticas não mudam do dia para a noite. Nossos gritos já começaram a ser ouvidos. É um processo demorado, mas é a regra o jogo.

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