Arte e Cultura

Cultura litorânea: muita produção e pouco incentivo

Artistas de Balneário Camboriú e Itajaí trazem à tona falta de incentivo do poder público e pedem por mais prestígio por parte dos moradores e turistas em suas produções

Artistas de Balneário Camboriú e Itajaí trazem à tona falta de incentivo do poder público e pedem por mais prestígio por parte dos moradores e turistas em suas produções 

Texto: Iana Girardi e Lucas Machado
Edição: Renata Rutes Henning

O litoral de Santa Catarina é conhecido principalmente por sua atividade turística. As cidades da região possuem diversas opções de entretenimento, entre eles bares, baladas, cinema, praias que ocupam as horas vagas de seus moradores e turistas. Em meio a tantas opções de lazer, as áreas ligadas à arte e à cultura são deixadas de lado e acabam se restringindo a um público segmentado.

A atriz Priscila Reis, da Cia Teatral 3 Em Athos, de Balneário Camboriú, lembra que o turismo atrai público para a cidade e que esses podem consumir seus produtos culturais. Porém, se houver algum outro grande atrativo, como um DJ famoso na cena eletrônica, os eventos culturais podem ficar sem público. “Não só os turistas preferem esse tipo de entretenimento, mas os habitantes da própria cidade. Trabalho há seis anos com teatro e nesse tempo vejo que o apoio cultural cresceu, mas ainda temos muito a nos desenvolver, para que todos os artistas, das mais diversas áreas, possam viver da arte e fazer dela a sua renda”, lamenta. Priscila é negra e carioca, nasceu no berço da arte brasileira, mas lá ela sentiu que não tinha oportunidades para entrar no “círculo fechado” de artistas. “Como eu sou do teatro, preferi vir para o Sul. Sinto que aqui tenho a chance de fazer o que eu quiser”, afirma.

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Priscila no palco, em cena com a peça “Além das Estrelas do Céu” (foto: FotoMarc)

Já o ator Guilherme Fernandes, que rodou o Brasil com o espetáculo Evangelho Segundo São Mateus e integrou o elenco da novela Malhação (Rede Globo) na temporada de 2007, discorda de Priscila e afirma que os artistas catarinenses precisam “ralar” mais para serem reconhecidos. “Eu acredito que aconteça isso porque aqui (Santa Catarina) a gente não tem uma bagagem teatral, nem um polo cinematográfico, os grandes estúdios não são daqui. Então culturalmente a gente é um bebê no que se refere ao audiovisual, à TV e ao teatro”.

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Guilherme acredita que os artistas catarinenses precisam “ralar” mais para se destacar. (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar da região ser muito avançada em certos aspectos, o incentivo do Estado e do público para que haja uma cena cultural mais intensa ainda precisa ser melhor desenvolvido. É o que pensa Ruca Souza, cantora catarinense. “Estamos em um dos piores momentos dos últimos cinco ou 10 anos, eu diria. Muitos dos responsáveis pela distribuição do incentivo público nem sequer sabem quem são ou que existem tantos artistas na região”, opina.

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Ruca Souza, artista de Itajaí, defende que falta incentivo à cultura, principalmente do poder público. (Foto: Arquivo Pessoal)

O município de Itajaí, por exemplo, destina aproximadamente R$ 2,5 milhões para fins culturais, de acordo com o superintendente da Fundação Cultural da cidade, Carlos Lopes. “Aqui em Itajaí há muito músicos bons, o problema é que eles aceitam trabalhar por muito pouco e isso acaba desvalorizando a cena cultural”, ressalta. São os editais que a Fundação Cultural disponibiliza, seja em Itajaí ou Balneário, que financiam muitos dos artistas, seja aqueles que querem apresentar suas peças como também gravar DVD e CD.  A cantora Bárbara Damásio é um exemplo disso. Ela conseguiu, através do Edital Estadual Elisabeth Anderle, rodar Santa Catarina com sua turnê autoral Você É Mesmo Essa Flor. “Passei por 27 cidades e pude ver que o público tem interesse na arte, sim. Porém, o problema continua sendo a falta de divulgação. Às vezes as pessoas não ficam sabendo dos eventos culturais e por isso não comparecem, ficando restrito para pessoas da área cultural”, explica.

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A cantora Bárbara Damásio foi beneficiada com um dos editais de incentivo à cultura. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo que as cidades Balneário Camboriú e Itajaí tenham uma cultura regional diversificada, isso não se reflete em seus produtos culturais, sejam eles de música, teatro, dança, artes plásticas a audiovisual. Guilhermina Stuker é presidente da Fundação Cultural de Balneário Camboriú (FCBC) e conta que já ouviu dizerem que o município não possui cultura, mas não é bem assim. “No meu ponto de vista, Balneário Camboriú é um caldeirão cultural. Não tem uma específica que se sobreponha, mas tem um movimento cultural em si”. Exemplo disso é a Festa das Nações, realizada anualmente e que reúne diversas culturas diferentes em um só lugar, como as comunidades argentina, haitiana e portuguesa, entre outras. Outro exemplo é a Festa do Pescador, que acontece no Bairro da Barra, conhecido o “berço cultural” do município.

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