Opinião

Pagando bem, mal tem?

Nova Playboy: Agora são as mulheres que decidem o que vão mostrar

Nova Playboy: Agora são as mulheres que decidem o que vão mostrar

Texto: Bruna Bertoletti

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Feiticeira, Tiazinha, as Sheilas. Essas mulheres mexeram com cabeça dos homens e invejaram o público feminino ao estamparem a revista mais ousada das últimas décadas. As fotos, que revelavam tudo das celebridades, causaram frisson na década de 70 e fizeram sucesso até os anos 2000.

Por muito tempo, a Revista Playboy foi considerada um símbolo de masculinidade. O material, vendido exclusivamente nas bancas, era responsável por causar emoções quase ilícitas, abusando do fetiche e da libertinagem.

Altos cachês eram desembolsados pela Editora Abril para conseguir convencer as mulheres a posarem nuas. Quanto maior a expectativa para ver a famosa na capa, maior também era o pagamento. E a regra era apenas uma: não esconder nada.

O problema é que todo esse misticismo que girava em torno da revista se perdeu com a popularização da internet e a facilidade de acesso a conteúdos pornográficos. Todo o arsenal da Playboy, que era “guardado a sete chaves” por muitos leitores, acabou sendo facilmente encontrado em sites, e pouco depois, circulando nas redes sociais.

A sexualização também foi ganhando espaço e mostrar o corpo já não era mais tão surpreendente assim. A intimidade de mulheres, famosas ou não, começou a circular pelos mais diversos meios e daí a revista “perdeu a graça”. Na década de 70, a venda de exemplares superava os cinco milhões, contra os 800 mil vendidos nas últimas edições.

Aliado a isso, houve a queda na venda do impresso e a crise da Editora Abril, o que fez as atividades da Playboy, e de outras revistas mantidas pela empresa, encerrarem de vez. No entanto, é inegável que o produto é um mito quando se fala em revistas masculinas, motivo este que fez a PBB Entertainment, nova editora da revista no Brasil, investir na marca e relançá-la com uma proposta diferente.

Desta vez o objetivo da editora não é mostrar os corpos femininos a qualquer custo e nem seguir a tendência de superexposição frequentemente vista nas redes sociais. A ideia é mostrar que a mulher vai além da beleza estampada nas fotos e que sua sensualidade também está nas ideias, no profissionalismo e na personalidade.

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Para marcar esta nova fase da revista, nada mais justo do que trazer na capa uma mulher que esbanja atitude. Depois de algumas recusas, a atriz Luana Piovani aceitou o convite de posar nua e justificou a decisão pelo novo posicionamento da Playboy. Agora, o nu frontal não é mais uma regra e é a mulher quem decide de que forma vai ser fotografada.

Satisfazer os desejos dos homens já não é mais a única prioridade da revista, acima disso está a valorização da figura feminina. E este é um dos motivos do porquê as capas não ganham mais cachê pelos ensaios. De acordo com a editora, “o corpo da mulher não tem preço”.

A aposta da revista é ir contra tudo que já circula na internet e mostrar que a naturalidade pode ser mais interessante do que os corpos esculturais que costumavam estampar a Playboy. Até o uso do Photoshop foi restringido, mas isto continua sendo uma incógnita. No primeiro dia de circulação da publicação já surgiram rumores que as fotos de Luana Piovani passaram por tratamento.

O que não se tem dúvida é que a revista trouxe uma maior valorização daquilo que, mesmo coadjuvante, surpreendia os leitores: as entrevistas e reportagens. A edição de retorno conta com bate-papos com o jogador de futebol Neymar Jr. e a modelo Lea T.

Na reportagem de destaque o tema é cinema, sobre as produções baratas de Wakaliwood. A revista ainda traz textos de Alexandre Borges, Julia Frank, Mauro Beting e da, também capa, Luana Piovani. Então, para quem pensa que o assunto central da Playboy é sexo, está muito enganado.

A nova etapa da revista pretende trazer um conteúdo mais completo, mas sem deixar de lado sua essência. A nudez sempre irá existir na Playboy, mas agora respeitando aquilo que as mulheres vêm lutando ao longo das décadas: voz e valorização.

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