Opinião

O dia em que as paredes falaram

Um smartphone de R$ 3 mil e uma parede sem reboco viraram polêmica

Texto, foto e edição: Letícia Wolff Maia

Esses tempos atrás uma menina, aparentemente nova, postou uma foto em suas redes sociais que mudou completamente o rumo de seu dia. A foto foi tirada em sua casa com o seu celular. Em frente ao espelho que refletia parte da parede do seu quarto. Tudo pareceria normal, se o celular não fosse de última geração, orçado em aproximadamente 3 mil e se a parede refletida no espelho não estivesse com o tijolo à vista, faltando o reboco.

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Foto envolvida na polêmica – Reprodução: Facebook

Foi o suficiente para que os “encorajados” da internet viessem expressar sua opinião com comentários do tipo:

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E agora eu me pergunto: o que essas pessoas têm a ver com a destinação dada ao dinheiro de alguém que elas nem conhecem pessoalmente? Alguns alegam a inversão de valores, mas esquecem que valores são, antes de tudo, conceitos particulares de cada um. O que cada um faz ou deixa de fazer em sua vida é uma preocupação que pertence somente ao indivíduo envolvido ou ao prejudicado diretamente pela situação.

O ditado é antigo mas representa exatamente a situação: “Conselho, se fosse bom, não se dava, se vendia.”. É nítida a vontade das pessoas em querer “ajudar”, por mais que muitas vezes essa ajuda venha em formato de ataque. O que se deve levar em conta, é se a pessoa que está sendo “ajudada” pediu essa ajuda, pois se isso não aconteceu pode-se confundir com um inconveniente.

O discurso de ódio é algo que cada vez mais tem sido estudado, de acordo com o artigo feito por Michele Paschoal Coimbra, pós-graduanda do curso de Especialização em Cultura Digital e Redes Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos – RS), intitulado “O discurso do ódio nos sites de redes sociais: o universo dos haters no caso #eunãomereçoserestuprada” os propagadores de ódio acabam ganhando fama em alguns casos. “Devemos pensar o que o sujeito ganha incitando ódio e violência nos sites de redes sociais. A resposta é capital social, como visibilidade, popularidade, reputação e influência. Esses são alguns dos fatores que contribuem para o surgimento dos haters nesse ambiente.” explica Michele.

Entenda um pouco mais sobre os haters no artigo completo de Michele.

Como se não bastasse ofender, ainda ganham a atenção de todos. É exatamente o que muitos deles querem, pois os comentários, neste caso, até desconfiavam da idoneidade da moça que postou a foto. Várias pessoas diziam que o celular provavelmente era roubado somente pela falta de reboco na parede do quarto.

Desde quando honestidade é comparada com reboco de parede eu não sei. A realidade é que o meu direito acaba quando começa o do próximo, talvez isso seja tempo demais aliado à falta de atividades. Mas uma sociedade em que o respeito não transparece, provavelmente é uma sociedade que precisa rever seus conceitos.

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