Economia

Jovens e desemprego: Cenário econômico prejudica acesso ao primeiro emprego

O momento não é dos melhores para quem é jovem e quer se inserir no mercado de trabalho

O momento não é dos melhores para quem é jovem e quer se inserir no mercado de trabalho

Texto: Leandro Pereira e Marcelo Martim
Edição: Leticia Maia

“A empresa sofrerá uma redução de gastos e por isso teremos que dispensar você da nossa equipe”.

Foi essa a fala que Franciane Thives, 27, ouviu do gerente do seu setor ao ser demitida da empresa em que trabalhava.  Durante os três anos e meio em que foi funcionária, ocupou as funções de digitadora, recepcionista e auxiliar de departamento jurídico. A moça era contratada por uma empresa que presta serviços terceirizados para órgãos públicos. Este era o segundo emprego da cosmetóloga, que unia suas duas rendas para alcançar uma situação financeira mais tranquila. A partir de agora, Franciane conta apenas com a renda de sua formação profissional.  “O período de crise no país favorece o empregador de desligar o funcionário, seja por qual motivo for, pois o quadro econômico do país justifica essa medida tomada, sem causar grande revolta por parte do colaborador”.

O desemprego também assusta quem está a poucos meses de concluir o curso de graduação. Guilherme Hoffmann, 21, cursa Gastronomia pela UNIVALI e está preocupado com o que será do seu futuro profissional. Na bagagem de experiências, traz um estágio obrigatório que realizou durante 30 dias em um resort e uma rápida passagem por uma confeitaria, onde auxiliou na produção e serviços gerais de cozinha. “Entrar para o mercado de trabalho de gastronomia não é algo fácil, exige perseverança e muita força de vontade, pois o empregador necessita de pessoas com experiência. Ele lida com serviço diretamente ligado ao público, e muitas vezes não há tempo para poder ensinar aos mais novos e inexperientes”, explica.

Guilherme acredita que o momento de crise econômica vivido pelo Brasil é um dos principais fatores para que a entrada no mercado de trabalho esteja cada vez mais difícil. “Além das dificuldades impostas pela própria área, não há como negar que a crise econômica financeira esteja influenciando estas seguidas ‘não contratações’, pois a inflação da matéria prima ajuda no aumento dos custos dos pratos/refeições. É um ciclo, gera desfalque na contratação e até mesmo na demissão dos já empregados”. A incansável busca por emprego não para. Guilherme já fez mais de 50 tentativas, entre telefonemas, entrevistas de emprego e currículos.

A quantidade de jovens fora do mercado de trabalho na região reforça os dados levantados sobre o assunto. A taxa de desocupação entre os trabalhadores de 18 a 24 anos chegou a 18,9% em janeiro de 2016. Foi a taxa que mais cresceu entre os grupos etários (6%). Em janeiro do ano passado, esse número era de 12,9%, dados da Pesquisa Mensal de Emprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 Celso Macambira, 28, coordenador de uma fábrica de móveis da região, conta que muitos jovens procuram a empresa como seu primeiro emprego. A fábrica possui na sua estrutura 20 funcionários, sendo cinco deles jovens entre 20 e 23 anos. O coordenador acredita que a possibilidade de oportunidades para estes jovens que estão iniciando sua vida profissional beneficia as duas partes. “Modulamos a pessoa de acordo com as características que a empresa precisa. A facilidade de aprendizado e boa disposição contam muito, nessa difícil etapa de inserção no mercado”.

Arquimedes Dauer Junior, diretor do Balcão de Empregos de Itajaí, explica que a procura de emprego entre os jovens aumentou significativamente nos últimos meses e esse número só cresce. “Os jovens estão procurando empregos cada vez mais cedo. O programa Jovem Aprendiz tem bastante procura, atendendo jovens entre 14 e 24 anos. Estágios e primeiro emprego também têm grande demanda”.

O diretor destaca que existe um problema no mercado de trabalho:

“Mais de 90% das empresas não abrem vagas para menores de 18 anos, apenas vaga de jovem aprendiz, primeiro emprego e estágio, em que o salário é significativamente menor. Ou é bolsa, meio salário ou meio período” – Arquimedes Dauer Junior, diretor do Balcão de Empregos de Itajaí.

Segundo ele, a grande queixa dos jovens que chegam ao Balcão de Empregos está exatamente nessa falta do emprego convencional, aquele com jornada de oito horas diárias de trabalho. “Os jovens de 16 e 17 querem disputar as vagas com adultos, mas o quesito idade atrapalha. Eles sentem a necessidade de conseguir um emprego pois muitos já possuem famílias”. Por outro lado, os jovens também sabem a importância de se profissionalizarem para competirem de igual por igual. “Sempre que tenho a oportunidade, solicito aos empresários para abrirem vagas aos jovens. Explico que muitos estão se profissionalizando”, completa.

Oportunidade de emprego

O Balcão de Empregos oferece atendimento especial com educadoras sociais orientando os jovens e os pais sobre o mercado de trabalho. O serviço é oferecido pela Prefeitura de Itajaí, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda. É gratuito tanto aos empresários que desejam anunciar vagas, quanto ao cidadão que está em busca de uma oportunidade. As vagas de emprego são atualizadas diariamente.

Pessoas acima de 16 anos podem se candidatar as vagas, basta comparecer ao Balcão de Empregos, fazer um cadastro prévio com carteira de trabalho e retirar o encaminhamento para a vaga desejada. “Devido a grande procura por empregos, é importante o cidadão retirar o encaminhamento e ir ao mesmo dia até a empresa”, reforça o diretor.

Junior comenta que no final do mês de abril, o departamento fará um trabalho de divulgação sobre o Balcão de Empregos para os empresários anunciarem suas vagas no serviço. “Desde o ano passado, o número de vagas vem diminuindo. Teve época que tivemos quase mil vagas anunciadas. Eram 2 ou 3 pessoas disputando a mesma vaga, hoje são 10 até 12 por uma única vaga. Atualmente, temos cerca de 100 vagas anunciadas”, conclui.

Sem Título-1

O que diz a legislação?

De acordo com o professor universitário do curso de Direito da Unoesc, Alan Provin, a constituição proíbe qualquer trabalho a menores de 16 anos de idade, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14. Ressalta-se que aos menores é proibido trabalho noturno, insalubre ou com periculosidade. O jovem também tem direito à carteira assinada, se aprendiz ou contratado normal, conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No caso de estágio, é necessário observar o termo de compromisso firmado entre a instituição e o empregador, na forma da lei especial. O professor relembra que o estágio não é emprego, motivo pelo qual não há obrigatoriedade de anotações na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). “As empresas devem contratar, dentre 5 a 15% do número de empregados, menores aprendizes, exceto as funções de direção ou que exijam formação técnica ou superior.”

Confira as dicas do professor para saber das regularidades legais sobre o emprego:

 – Para saber da sua regularidade dentro do ambiente de trabalho, o jovem pode consultar o Ministério do Trabalho local ou um advogado da área;

– É importante manter o currículo atualizado para apresentar às empresas;

– Quanto à empresa, deve-se sempre exigir a carteira assinada, com os valores e anotações corretamente inseridas. Qualquer omissão pode ser objeto de prejuízos posteriores ao trabalhador.

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