Opinião

10 lançamentos do Rock no primeiro trimestre

Texto: Lucas Rosa Gabriel

O rock é um gênero cheio de mistérios, lendas, clássicos e até mesmo alguns clichês. Mas, com certeza, o que mais incomoda os fãs é o velho boato que o estilo está morto e ultrapassado. Para provar que isso não passa de intriga da oposição, confira alguns dos melhores trabalhos apresentados até o momento neste ano.

Moda de Rock – Moda de rock II

Moda de Rock

O ano de 2016 chegou bem diferente. Para começar, você algum dia imaginou ouvir clássicos do rock interpretados com viola caipira? Essa é a proposta criada pelos violeiros Ricardo Vignini e Zé Helder.  O lançamento do CD Moda de Rock – Viola Extrema, em 2011, foi um grande sucesso e rendeu aos músicos shows por todo o Brasil, passando também pela Argentina e os Estados Unidos. Agora eles lançaram o Viola Extrema II, e você pode conferir Pink Floyd, Iron Maiden, Nirvana, Metallica e muitas outras bandas em uma versão bem brasileira.

Axel Rudi Pell – Game of Sins

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Não sei dizer se é algum tipo de ritual ou tradição, mas de dois em dois anos o guitarrista alemão Axel Rudi Pell lança um novo álbum de estúdio. Assim como a periodicidade, o estilo também é frequente.  Mais uma vez a aposta é na mistura de Hard Rock com Heavy Metal. Quem conhece, e gosta da carreira do músico germânico, não terá do que reclamar. Exceto se estiver esperando algo realmente novo. Um ponto interessante é que Axel é um ótimo instrumentista, mas tem um ego relativamente controlado. Na medida certa para não transformar cada música em uma exibição de virtuosismo.

Rhapsody of Fire – Into The Legend

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Com a entrada do vocalista Fabio Lione no Angra, e os problemas judiciais envolvendo o Rhapsody of Fire, muitos esperariam uma queda na qualidade da banda, mas para a nossa sorte o projeto não desandou. Nesse álbum o Rhapsody aposta no mesmo Power Metal que os consagrou. É sem dúvida um trabalho belíssimo e aprimorado nos coros, com destaques para as guitarras de Di Micheli e a performance vocal de Lione. Into the Legend em sua totalidade mostra um Rhapsody que ainda arrisca bons momentos, mesmo andando por suas zonas de conforto.

Black Sabbath – The End

Black Sabbath - The End

Com certeza é triste falar isso, mas o fim está próximo para o Black Sabbath. A banda anunciou sua turnê de despedida para este ano, e lançou seu último disco com quatro faixas inéditas, além de outras quatro gravações ao vivo de músicas do álbum “13”, lançado em 2013. Esse novo trabalho recebeu o nome de “The End”. O EP traz composições que não foram aproveitadas no CD anterior, mesmo assim tem bastante qualidade técnica e de gravação. É uma linda carta de despedida aos fãs da lendária banda inglesa.

Megadeth – Dystopia

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A expectativa em torno de “Dystopia” era grande. Principalmente entre os brasileiros, que aguardavam a estreia do guitarrista Kiko Loureiro no Megadeth. O trabalho recompensou toda a espera, “Dystopia” é um dos melhores álbuns da discografia do Megadeth. É importante afirmar que Kiko não revolucionou a banda, mas conseguiu apresentar uma nova proposta e consagrar sua marca na banda. O que deixou um pouco a desejar foi o próprio Dave Mustaine. O grande cérebro por trás do Megadeth ainda peca como vocalista em alguns momentos.

Avantasia – Ghostlights

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Toda vez que um novo álbum do Avantasia é anunciado, a expectativa cresce bastante em torno do resultado. Em “Ghostlights”, 7º registro de estúdio do projeto de Tobias Sammet, o dono do espetáculo arrebenta mais uma vez. Esse trabalho tem a participação dos músicos Jorn Lande, Ronnie Atkins, Robert Mason, Dee Snider, Michael Kiske, Marco Hietala, entre outras lendas do Rock. Pode ser que, para quem está esperando um novo “Metal Opera” a cada lançamento inédito do Avantasia, esse álbum seja decepcionante. Mas se você encarar de mente aberta, cada capítulo desse grandioso espetáculo, absorvendo todos os experimentos que Tobias se propõe a mostrar, esse registro vai deixar você impressionado.

Myrath – Legacy

Myrath - Legacy

Mais uma banda que é sem dúvida diferenciada. Os tunisianos do Myrath construíram sua reputação por meio de uma musicalidade muito bem estruturada, aliando Metal progressivo com  elementos da cultura árabe. Podemos dizer que “Legacy” é quase um álbum homônimo, afinal o nome da banda significa exatamente “legado” em árabe. De qualquer forma, o quarto álbum da continuidade a uma tendência iniciada no álbum anterior, “Tales of The Sands”. Nessa nova fase eles estão apostando no apelo comercial, mas sem perder a qualidade de forma alguma. “Legacy” não é um trabalho ruim, pelo contrário, está ótimo, até porque buscar seu horizonte no meio comercial não é um crime, desde que a musicalidade permaneça boa.

Anthrax – For All Kings

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“For All Kings” é o 12º álbum do Anthrax, lenda do Thrash Metal estadunidense. Mesmo tendo seu lançamento previsto para o final de fevereiro, em dezembro de 2015 ele estava disponível. Por todo canto da internet, a essa altura, acredito que muitos já o conhecem. Esse é um CD que divide opiniões, mas a maioria tende a ser positiva. A banda apresenta uma sonoridade mais acessível, posso dizer um tanto sentimental, explorando refrões grudentos e até baladas. Logo, as músicas não estão tão pesadas quanto anteriormente, mas estão muito bem produzidas. Perfeitas para agradar os fãs mais conservadores e também quem espera novidades produzidas com extrema qualidade. Eu, que não sou muito chegado na banda, gostei bastante do trabalho.

Selvagens a procura de lei – Praieiro

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Para quem ainda não conhece, a Selvagens à Procura de Lei é uma banda de Fortaleza, formada em 2009. Atualmente morando em são Paulo, eles apresentaram nesse ano o seu terceiro álbum de estúdio, intitulado Praieiro. como o próprio nome sugere, é um disco de sonoridade ensolarada, vibrante e porque não dizer praieira. O novo trabalho dá uma ousada apostando em levadas Ska, Reggae, regional e até mesmo pop. Os Selvagens mostram que estão firmes fazendo uma harmoniosa mistura de elementos musicais. Esse é um cd para quem gosta de um bom Rock brasileiro leve, intenso e descontraído.

Marujo Cogumelo – Hiato

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Chegamos ao final da lista, e é lógico que eu não poderia encerrar sem destacar um lançamento catarinense. A Marujo Cogumelo faz um som forte com uma pegada Vintage, tendo  como influências as grandes bandas de rock das décadas de 50, 60 e 70. O grupo executa excelentes performances, com muita energia e entrosamento, fazendo transbordar um som tão energético quanto pegajoso. Hiato é o terceiro CD da banda de Xanxerê que despontou com um belo disco clássico “Jardim das Américas”, lançado em 2009. O tempo que o grupo ficou sem apresentar novidades foi um bom gancho pro nome do terceiro trabalho, aparentemente influenciado por audições cavalares de Kinks, Pink Floyd e Tim Maia. Nessas condições, Hiato é um disco que vai direto ao ponto, mas é rico em arranjos e atmosferas variadas.

 

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