Cidades

Educar, inovar e crescer: Professores vão além das diretrizes curriculares e transformam o ambiente escolar

Texto: Luana Cristina e Douglas Schinatto
Edição: Iana Girardi

São Viça

Uma sala com mesas e cadeiras enfileiradas, um quadro de giz na frente, alguns ventiladores do teto, em média 35 alunos, uma professora e um grande desafio: o de educar. A professora chega e às vezes é como se não fosse vista, as bocas falantes, alvoroçadas, disputam quem fala mais alto e chama mais atenção.  Ficar quieta e aguardar que eles se acalmem pode ser uma opção, mas requer tempo.  No entanto, as horas não esperam e o conteúdo pede atenção.

Aprende quem tem vontade e está disposto a desbravar um universo até então desconhecido. Os professores buscam alternativas constantes para ensinar de maneira que as aulas, vistas como chatas, tornem-se mais atrativas aos olhos das crianças.  A proposta era fazer um trabalho para comemorar o aniversário da cidade e a professora Rubia Cristina dos Santos quis voltar aos seus tempos de jornalismo, matar a saudade e fazer um jornal com as crianças do antigo Núcleo Educacional de Contraturno (NEC), -, hoje Centro de Educação de Tempo integral (CEDIN) Dilzelena Marcia Teixeira, no bairro São Vicente. Rubia explica para os alunos que não é uma atividade tão legal quanto capoeira, dança entre outras que eles fazem. “Falo que eles aprendem muito, que isso vai torná-los críticos e eles adoram sair da sala ir às ruas fazer enquete”, conta a professora. Da ideia à prática, e o jornal do São Viça já vai para 9° edição.

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Divulgação/Rubia dos Santos

Hoje, o CEDIN tem uma parceria com a Escola Básica Aníbal César. E, por meio do programa Mais Educação do Governo Federal, que amplia a jornada escolar de acordo com os projetos educativos em curso, foi possível garantir a impressão do jornal. “Nós tínhamos que fazer bingo, pastelada, dependíamos da verba que vinha de contêiner da Receita Federal para custear a impressão. Com o Mais Educação a verba é garantida pelo governo”, diz Rubia.

Anairam Ohana de Andrade, cabelos enrolados com algumas mechas loiras e muito comunicativa, conta que ficou animada com o seu primeiro texto para o jornal do São Viça, a pauta era sobre sustentabilidade e ela foi buscar o que significava essa palavra até então desconhecida. Eu gosto muito de ler livros da juventude, gosto de escrever, mas o que eu quero mesmo é ser contadora, eu amo matemática, diz Anairam.

Os olhos estão em alerta e os ouvidos ligados ao tom grave da voz da professora Rubia, que deixa os alunos atentos a cada explicação e os envolve nas discussões. – Ela estimula as crianças de maneira que desperta a imaginação para a produção dos textos com dinâmicas de perguntas e respostas, por exemplo.

A colega de Anairam,  Poliane Souza, foi incentivada pelos pais a gostar de leituras. “Meus pais sempre me dão gibis da Turma da Mônica Jovem para eu ler e na biblioteca da escola eu também gosto de ler”, conta a estudante que com um olhar tímido fala que o que mais gosta de fazer para o jornal, é entrevistar as pessoas na rua, fazer enquetes.

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Divulgação/Rubia dos Santos

Eles discutem as pautas e já têm a matéria principal da próxima edição do jornal do São Viça, que será sobre como era a juventude antigamente. O que faziam os avós quando eram jovens, como eram as brincadeiras, entre outros assuntos que serão abordados pelos alunos.

A psicóloga Ilda de Souza guiz explica que muitas vezes os pais têm uma vida corrida e acabam deixando de lado algumas atividades que poderiam realizar junto com os filhos.  “Essas aulas do contra turno escolar estão ligadas diretamente na formação deles. O projeto do jornal é via de expressar e de reflexão do que deles, aonde eles escrevem um espaço de construção de comunicação. Eles como todas as pessoas tem a necessidade de se expressão e ser ouvidos”, diz Ilda.

 

Ao som de Mozart

Poderia ser mais uma hora de repouso ou hora do soninho como dizem nas escolas infantis, mas a professora Milena Cristina da Silva  que trabalha no Centro de  Educação Infantil Rosete Palmeira Silva, no bairro fazenda de itajai, em parceria com suas colegas de trabalho, resolveu fazer diferente com os pequenos.

O maternal é a fase de iniciação da criança na escola e não são todos que se adaptam facilmente. Entre um chorinho, um olhar pedindo atenção, ou até mesmo um pedido de colo, ela resolveu embalar o sono das crianças com música clássica e massagem relaxante.
Formada em Pedagogia, pós-graduada em Gestão Escolar e Contação de História, Milena sempre gostou de MPB,  música clássica, entre outros ritmos, mas não sabia do potencial de fruição e benefícios que poderia trazer a crianças de apenas dois anos.
“Tive conhecimento quando fiz a pós em Contação de Histórias, que acompanha música e ouvir Mozart, por exemplo,  melhora até mesmo no tempo de concentração de cada atividade que eles fazem. Na hora do repouso tem criança que se entrega ao ver que vamos fazer massagens. É um toque, carinho, uma atenção em especial que acalma eles”, diz a professora.

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Divlgação/Milena Silva

São 17 alunos e duas professoras para a turma. Alguns entram às 7h20 e os pais só conseguem vir buscar às 19h, são quase doze horas fora de casa. Quando as professoras falaram sobre a proposta de fazer massagem nos alunos os pais colaboraram com doações de cremes e loções infantis.

Segundo a professora, eles estão mais calmos desde a segunda semana de aula, quando iniciaram o trabalho com a música e massagem. “ Fiquei surpresa com a proporção que teve nosso trabalho, porque a afetividade com as crianças tem que estar em primeiro lugar no nosso trabalho”, ressalta a professora.

 

A curiosidade de um esporte novo

Quadra, raquete, peteca e uma rede. São essa as paixões do atleta paraplégico Jonathan Cardoso. O jogador de badminton ensina o esporte para as crianças da rede municipal de Porto Belo. Jonathan leva a duas comunidades do município o segundo esporte mais praticado no mundo, com recursos próprios de raquetes, redes e petecas, o atleta recebe apoio da Fundação de Esporte de Porto Belo com o local para treino e alguns equipamentos.

O instrutor confessa que no primeiro momento não gostou do esporte. ” Quando eu assisti o treinamento eu não gostei muito, achei que era muito parado”, diz Jonathan. Começou no esporte após um convite e foi participar de uma escolinha que recém tinha formado perto de sua casa em Blumenau. O ex-atleta conta com participações em campeonatos brasileiros e internacionais e também fez parte da seleção Brasileira de Parabadminton.

Após quatro anos parado, sem praticar o esporte por causa da quebra da sua prótese, começou a ensinar as crianças da escola aonde trabalha nos dias que faltavam monitores do Programa Mais Educação, vendo o interesse e curiosidade das crianças procurou aumentar o projeto.

No badminton a peteca pode chegar a 400km/h, o tempo de reação do jogador é um segundo. O instrutor conta que qualquer criança pode jogar. “Para quem chega no primeiro dia, vamos devagar, passamos os fundamentos do jogo para que se acostumem com a raquete e a velocidade. O problema é que as crianças são acostumadas a jogar tênis de mesa e nas primeiras tentativas sempre furam a peteca, por causa da diferença do cabo da raquete”, conta Jonathan.

Para Caleb Medeiros, de 10 anos, uns dos primeiros alunos do projeto, o esporte não é tão difícil de aprender. “Sempre joguei futebol, mas hoje prefiro o badminton. Primeiro vi um treino, gostei e comecei a treinar. É muito legal e fácil de jogar”, diz o garoto. Jonathan espera levar alguns garotos para uma competição em Mafra nos próximos meses.

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Foto/Douglas Schinatto

Hoje a escolinha de badminton em Porto Belo conta com cerca de 30 crianças cadastradas, que devem ter boas notas e frequência escolar para participar dos treinos. Os alunos contam com 18 raquetes, 20 petecas e quatro redes.

Para Jonathan, o esporte traz benefícios para as crianças também nas salas de aula. “O badminton ajuda muito na concentração e reflexos por ser um jogo muito rápido, são os maiores ganhos em sala de aula”, explica o professor.

Para o idealizador do projeto o trabalho com crianças é muito importante para a divulgação do esporte, que é um dos mais praticados no mundo, porém pouco conhecido no Brasil.

O badminton pode ser praticado por qualquer pessoa. O valor de uma raquete para iniciante é de R$ 40,00 e pode passar de mil reais nas raquetes profissionais.

Os projetos sociais ocupam o contra turno escolar, além de ocupar as crianças e não deixá-las ociosas, eles agregam a formação do cidadão. Para a Psicóloga, Ilda de Souza Guiz, esse tipo de ação acrescenta muito na vida das crianças. “São atividades que vão acrescentar no currículo das crianças. A dança, música, até um reforço escolar. Eu percebo que elas curtem participar desses projetos, que é uma maneira diferente de aprendizado.”

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