Cidades

Agentes de combate à dengue: os heróis da vez

Conheça o dia a dia do trabalho de quem, além de se preocupar, orienta e conscientiza a população.

Conheça o dia a dia do trabalho de quem, além de se preocupar, orienta e conscientiza a população.

Texto: Leandro Pereira e Marcelo Martim
Edição: Mariana Campos

09.02.15 - Agentes do Programa de Combate à Dengue (Foto  Thiago Julio) (7)
Agente de combate à dengue. (Foto: Thiago Julio)

Todos os dias durante a semana, às 8h, Leonidas Guziviak inicia sua jornada de combate ao Aedes aegypti em Balneário Camboriú. Hoje aos 65 anos, trabalha há 13 como agente de combate de endemias. Ele faz a primeira visita em residência às 8h30min e segue com esse trabalho de monitoramento e conscientização até as 17h. Sua rotina de combate à dengue conta com uma pausa entre 11h30min e 14h, horário que aproveita para almoçar e descansar. Já às 17h30min, Leonidas retorna para a Secretaria de Saúde, onde deve bater seu cartão ponto. Em média, ele visita 25 residências por dia.

Léo, como gosta de ser chamado, destaca o trabalho dos agentes. “Temos que ter muita cautela na abordagem dos proprietários. E ao mesmo tempo, devemos achar um meio de convencer a população a não deixar água parada”. Em Balneário Camboriú, as maiores dificuldades que os agentes encontram estão nas residências fechadas. “Os moradores de muitas residências estão trabalhando durante nossas visitas ou são turistas que vêm para a cidade apenas na temporada. Isso dificulta nosso trabalho”, completa.

Devido ao número elevado de focos dos mosquitos e casos de dengue, a população aborda os agentes nas ruas: “A comunidade começou a se interessar sobre o tema. Têm pessoas que passam por nós, tiram suas dúvidas e até fazem denúncias”, comenta. Quando Léo recebe uma denúncia, a informação é repassada para o Programa de Combate à Dengue, que será responsável por verificar. “Quando recebemos casos de denúncia, passamos para o programa. Nunca vamos diretamente verificar, pois muitas vezes é apenas intriga entre vizinhos”, lamenta.

No município, os agentes de combate a endemias visitam as armadilhas de sete em sete dias, período de desenvolvimento da larva até virar mosquito. Já as residências recebem os agentes em média a cada 60 dias, que é a duração do ciclo de vida do Aedes aegypti.

Léo mostra como funciona uma armadilha contra a dengue no vídeo abaixo:

Em Itajaí, o trabalho de combate não é muito diferente, como conta Maria Aparecida Feller Bernardes, 50. Ela é agente comunitária de saúde, mas atualmente está atuando como agente de controle a endemias.

Este é o quinto ano que Maria trabalha para colaborar com a saúde da população itajaiense. Em equipes de até quatro agentes, eles saem às ruas, assim como Léo, para fiscalizar, orientar e conscientizar a comunidade.  “A aceitação da comunidade tem sido boa, a maior parte dos moradores nos deixam entrar em suas residências para que o nosso trabalho seja feito”, declara.

A agente ainda conta que, quando a entrada na residência é recusada, é necessário que os próprios profissionais façam uma notificação à Secretaria Municipal de Saúde, para que esta casa seja visitada posteriormente por outra equipe acompanhada de um militar do exército.

Nesse primeiro período de trabalho, fomos de casa em casa e não deixamos de explicar ou conversar com a comunidade sobre o combate ao mosquito. Explicamos o que é preciso fazer e sugerimos algumas dicas, como por exemplo, tirar de oito a 10 minutos por semana para revisar o seu cercado, conferir a água das calhas, das flores que possuem água, dos ralos, entre outros. – Maria Aparecida Feller Bernardes, agente comunitária de saúde.

A dengue em números

Nos três primeiros meses (1 de janeiro até 17 de março) do ano de 2016, Itajaí contabilizou 26 casos de dengue, de acordo com a Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde. Deste número apenas 10 são autóctones, que representam os casos contraídos dentro do munícipio.

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Saúde de Itajaí, até 29 de fevereiro mais de 100 mil imóveis já foram visitados durante os dois ciclos de vistorias realizados pelas equipes de agentes nestes primeiros meses.

No início de março, foram apresentados dados que comprovam a diminuição dos casos de dengue na cidade. Comparando os dois primeiros meses de 2015 e 2016, houve a redução de 623 casos de dengue para 26. Isso representa 95,98% a menos em comparação com o ano passado.  Confira no mapa interativo os casos de dengue por bairro:

Em Balneário Camboriú foram registrados seis casos de dengue autóctones em 2015. Os três primeiros meses de 2016 já superaram o número do ano passado, registrando oito casos autóctones até 17 de março. O mapa interativo abaixo ilustra:

Métodos alternativos de combate

Entre os principais programas de combate à dengue de Itajaí, o que vem chamando atenção é o Caminhão “Cata Treco”. Ele funciona como um caminhão baú que recolhe os entulhos que acabam se tornando foco do mosquito Aedes aegypti. De bairro em bairro o aliado ao combate segue pelas ruas recolhendo o que já não é mais útil para a população. De acordo com a Secretaria de Obras, a ideia deu tão certo que Itajaí já conta com dois caminhões para esta atividade.

Desta vez, em uma das iniciativas do Estado, um aplicativo para smartphones promete colaborar no combate ao mosquito: o app “Dengue SC”. Disponível para Android e iOS, o aplicativo possui uma interface simples para comunicar algum possível foco do mosquito por meio de um sistema de localização, incluir fotos e consultar informações de prevenção.

O aplicativo está nas lojas para download desde o ano passado, mas só agora está ganhando evidência. De acordo com o Gerente de Inovação Governamental e Relacionamento com o Cidadão do Centro de Informática e Automação do Estado de Santa Catarina (CIASC), Gabriel Vieira Ferrari, o sistema já possui 2.170 notificações, que são encaminhadas para a Sala de Situação da Vigilância Epidemiológica do Estado e posteriormente para os municípios, onde deve acontecer a apuração das informações.

A equipe de reportagem resolveu testar o aplicativo. Realizamos uma denúncia em 10 de março de um terreno baldio, onde a possibilidade de foco do mosquito é grande. Até o fechamento da reportagem não tivemos nenhuma resposta de qualquer órgão responsável e a notificação permanece em análise.

Para mais detalhes do funcionamento, você pode consultar um tutorial básico clicando aqui. Em casos de denúncias por telefone, basta ligar para as Ouvidorias municipais. Em Itajaí: 0800 6464 040, e em Balneário Camboriú: 0800 644 3388.

Saiba mais

A bióloga da Gerência Regional de Saúde de Itajaí, Francine Lambrecht, explica mais sobre a doença. Ouça o áudio:

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